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Projeto de lei quer proibir que cães sejam explorados em corridas no RS

Projeto de lei quer proibir que cães sejam explorados em corridas no RS
Pixabay

Um projeto de lei pretende proibir a exploração de cachorros em corridas no Rio Grande do Sul. A proposta foi protocolada na Assembleia Legislativa pelo deputado Gabriel Souza (MDB), na última sexta-feira (21), após a Prefeitura de Bagé anunciar a construção de um centro de evento para criadores de galgos ao lado da pista de corridas do Parque do Gaúcho.

As obras, que servem de incentivo às corridas, geraram revolta e insatisfação entre moradores da cidade e ativistas pelos direitos animais, que denunciam o abandono de galgos doentes e feridos.

A proposta do deputado tipifica como crime a exploração de cães em corridas. Se aprovada, os infratores poderão perder a guarda dos animais.

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“O código ambiental do Estado declara como sencientes os animais domésticos de estimação. São capazes de sentir alegria, dor, tristeza, e também são sujeitos de direito. Mesmo que seja um instinto da raça a velocidade, as corridas e o uso de estimulantes para melhor desempenho podem provocar lesões. Na minha visão, já é crime promover corridas desse tipo, mas apresentei o projeto para deixar bem claro. Trata-se de uma questão civilizatória até: não podemos ficar explorando animais para oferecer diversão ao homem”, justificou Gabriel em entrevista ao jornal GaúchaZH.

Os recursos para a construção do centro de eventos vieram de uma emenda parlamentar do deputado federal Dionilso Marcon (PT). Apesar de ter afirmado desconhecer que a emenda incentivaria a exploração de cães na pista de corrida, o parlamentar cita a associação de criadores de galgos, que utiliza a pista aos finais de semana, no ofício elaborado para comunicar a liberação dos recursos à prefeitura.

O prefeito Dilvado Lara (PTB), que recentemente assinou a ordem de serviço para as obras, disse que a emenda tem finalidade específica e, por isso, não pode ser usada por outro setor. Segundo ele, a área é destinada à população e poderá ser utilizada mesmo se as corridas forem proibidas.

“Acho boa a iniciativa do deputado. Bagé é um dos municípios que mais investe em proteção animal e se a Assembleia aprovar, vamos cumprir”, disse.

Com o anúncio das obras, a causa animal mostrou sua força. Uma petição que pede a proibição das corridas em território nacional já alcançou mais de 5,5 mil adesões. Além disso, vários grupos e ONGs de proteção animal se uniram na internet em uma campanha contra a prática. Os criadores de galgos, por sua vez, apagaram das redes sociais fotos e convocações para as corridas, tema que agora é discutido em grupos fechados.

“Quem tem publicação de carreira, chamada, retirem com urgência do Facebook. Criem um grupo no WhatsApp onde vocês possam todos conversarem e expor chamadas (sic), mas não coloquem no face. O bicho tá pegando”, disse um dos criadores em um áudio que o jornal GaúchaZH teve acesso.

Cerca de 60 galgos foram abandonados em Bagé no último ano após serem explorados em corridas, segundo o Núcleo Bajeense de Proteção Animal. A maior parte dos cachorros apresentava fraturas.