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Feito no Brasil | Seguimos o caminhão autônomo de R$ 700 mil da Mercedes

Feito no Brasil | Seguimos o caminhão autônomo de R$ 700 mil da Mercedes

Carros autônomos ainda estão longe de ganhar as ruas no mundo inteiro. Mesmo assim, a tecnologia de condução sem motorista evolui a passos largos, inclusive nos caminhões. Prova disso é que os primeiros pesados autônomos já estão trabalhando duro no interior de São Paulo.

UOL Carros foi até Lençóis Paulista para andar no primeiro caminhão autônomo a participar de uma operação diária comercial no país.

Trata-se de um Axor 3131 profundamente modificado para transitar em meio a plantações e, especialmente, poder rodar de forma autônoma.

Axor Autônomo 2 - Malagrine Estúdio/Divulgação - Malagrine Estúdio/Divulgação
Primeiro conceito de caminhão autônomo foi desenvolvido em 2010
Imagem: Malagrine Estúdio/Divulgação

A tecnologia foi desenvolvida pela Mercedes-Benz em parceria com a Groomer. Foi a empresa de soluções tecnológicas em agricultura que desenvolveu, por conta própria, o primeiro protótipo de caminhão autônomo há 10 anos.

Vários aprimoramentos foram feitos nos anos seguinte até que, em 2016, a própria fabricante alemã procurou a Groomer para fechar uma parceria exclusiva que culminaria no desenvolvimento do bruto que vocês estão vendo nesta reportagem.

Um caminhão por dia

Axor Autônomo 2 - Vitor Matsubara/UOL - Vitor Matsubara/UOL
Groomer realiza mais de 20 modificações no caminhão
Imagem: Vitor Matsubara/UOL

A tecnologia é do nível 2, que exige a presença de um motorista na cabine para intervir na direção em qualquer eventualidade.

Porém, dependendo da aplicação, a Groomer diz que é possível acompanhar a atividade por telas a uma distância de 2 a 4 quilômetros, uma vez que o equipamento trabalha por meio de coordenadas de GPS. Neste caso, o operador consegue controlar o veículo por meio de um joystick.

Com peso bruto total de 31 toneladas e 310 cv de fábrica, o Axor recebe mais de 20 modificações antes de pegar no batente.

Axor Autônomo 3 - Malagrine Estúdio/Divulgação - Malagrine Estúdio/Divulgação
Axor ganha bitolas largas e suspensão com bolsas pneumáticas
Imagem: Malagrine Estúdio/Divulgação

Os eixos recebem bitolas mais largas (a distância entre elas é de 3 metros, suficiente para não esmagar as mudas nas plantações) e gigantescos pneus de uso misto, que trabalham em conjunto com o sistema de tração para impedir que o caminhão atole.

Várias peças do Axor, como faróis e lanternas, recebem grades de proteção para não serem danificadas durante o trabalho. Atrás da cabine, o escapamento recebe um isolamento especial para evitar que o calor cause um incêndio no meio de um canavial.

Axor Autônomo 4 - Malagrine Estúdio/Divulgação - Malagrine Estúdio/Divulgação
Monitor exibe informações do trajeto e percurso a ser realizado
Imagem: Malagrine Estúdio/Divulgação

Mas a modificação mais complexa é a instalação do sistema de condução autônoma de nível 2, o que, na prática, significa que o veículo ainda precisa de um motorista para iniciar o movimento e assumir o controle da direção em determinadas situações.

Apesar disso, o diretor comercial da Groomer, Mateus Belei, afirma que é possível finalizar um caminhão autônomo por dia nas instalações da empresa.

Além do transbordo de cana-de-açúcar, o caminhão também pode ser preparado para trabalhar em mineradoras, florestas e na colheita de grãos.

O custo estimado do caminhão com todas as modificações é de R$ 700 mil, sendo que o valor do Axor original de fábrica é de R$ 495 mil.

Aqui é trabalho!

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Caminhão em ação: trabalho é feito 24h por dia
Imagem: Malagrine Estúdio/Divulgação

Rodamos alguns quilômetros por estradas vicinais até chegar à plantação da Agro Cana Caiana.

Lá, dois caminhões já estão trabalhando duro sem parar - literalmente falando, já que a colheita é realizada 24h por dia, divididas em turnos de oito horas.

Entro na cabine e quase tudo é idêntico a um Axor convencional. Há apenas duas exceções: um monitor de 10 polegadas com tela tátil e uma alavanca para controlar os movimentos da caçamba, ambos posicionados à direita do motorista.

Assim que o caminhão entra em movimento, tudo que preciso fazer é apertar um botão no canto do monitor e pronto: o veículo já está em condução autônoma.

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Condutor fica na cabine para realizar manobras e assumir controle em eventualidades
Imagem: Malagrine Estúdio/Divulgação

É curioso ver como a direção (que tem assistência eletro-hidráulica e é extremamente leve nas manobras) é corrigida milimetricamente à medida que avançamos, o que acontece graças a um mapeamento previamente realizado em cada linha.

A partir dessas informações é que o caminhão se guia em meio ao canavial sem passar por cima das mudas ou compactar o solo em volta delas. Estudos feitos pela Groomer afirmam que o tráfego controlado resulta em um ganho de produtividade de 21%.

O veículo percorre a trajetória do mapeamento com uma precisão impressionante. Durante nosso trajeto, a margem de erro não passou de 0,3 cm.

Fim da linha

Economia de combustível chega a 60% em relação a um trator
Imagem: Malagrine Estúdio/Divulgação

Conforme nos aproximamos do fim de cada linha de plantação, um alerta dá a deixa para reassumir o controle e dar meia volta.

Mesmo com a caçamba toda carregada, o Axor se comporta como se estivesse trafegando em um asfalto dos mais lisos.

Méritos para os pneus de uso off-road e especialmente para a suspensão que combina feixe de molas com bolsas pneumáticas para garantir o equilíbrio do caminhão em qualquer piso.

Já de volta ao volante, a última etapa é realizar o transbordo no treminhão responsável por fazer o transporte da carga. Após o implemento elevar a caçamba a quase 5 metros de altura, o serviço está feito e o Axor está pronto para começar tudo de novo.

A empresa diz que a economia de combustível é de 40% a 60% em relação aos tratores. A Groomer estima que mais de 60 caminhões autônomos já estão trabalhando pelas plantações no país.