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Ex-diretor do Facebook afirma que rede é tão viciante quanto cigarros

Ex-diretor do Facebook afirma que rede é tão viciante quanto cigarros

Em depoimento enviado ao Congresso dos Estados Unidos, o ex-diretor financeiro do Facebook, Tim Kendall, afirmou que a rede social foi construída intencionalmente para ser tão viciante quanto cigarros.

Perante o Subcomitê de Comércio e Proteção ao Consumidor da Câmara, Kendall diz que a rede social é tão nociva à seus usuários, que ele teme que cause uma guerra civil.

O depoimento foi publicado na quinta-feira (24) e afirma ainda que os algoritmos são criados para facilitar a disseminação de informações mentirosas e lançam sementes para o que ele chamou de "crise de saúde mental", principalmente entre adolescentes.

"Trabalhamos para deixar a rede social viciante desde o início. Os serviços de mídia social que eu e outros construímos nos últimos 15 anos serviram para separar as pessoas com velocidade e intensidade alarmantes", afirmou ele. "Temo que na pior das hípoteses estejamos à beira de uma guerra civil."

Kendall explicou como funciona esses mecanismos que geram vícios em seus usuários, e os fazem retornar sempre.

"A mídia social ataca as partes mais primitivas de seu cérebro. O algoritmo maximiza sua atenção, entregando a você repetidamente conteúdos que desencadeia suas emoções mais fortes — isso visa provocar, chocar e enfurecer", disse ele.

Logo depois, ele explica no depoimento, como redes sociais trabalham de forma similar à da indústria de cigarros.

"Da mesma forma que empresas de cigarro acrescentaram açúcar e mentol a seus produtos, para a fumaça ficar retida mais tempo nos pulmões, o Facebook colocou atualização de status, curtidas e marcações de fotos", afirma. "Isso tornou o status e a reputação primária o mais importante [na rede social], e lançou as bases para uma crise de saúde mental entre adolescentes."

Histórico ruim

Kendall foi contratado pelo Facebook em 2006, como seu primeiro diretor de monetização. Ficou na empresa até 2010. Segundo ele, não demorou para entender que a empresa estava interessada em lucros acima de tudo.

"Procuramos obter o máximo de atenção humanamente possível e conseguir em lucros sem precedentes", disse Kendall.

Em agosto, um engenheiro da empresa pediu demissão e disse que a empresa "estava lucrando com o ódio".

O subcomitê que tomou o depoimento de Kendall afirmou que a disseminação de conteúdos do tipo pode sofrer regulação estatal no futuro.

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