Política

Quarto sábado de protestos | Ato contra Bolsonaro e pró-vacina fecha avenida Paulista em SP

Quarto sábado de protestos | Ato contra Bolsonaro e pró-vacina fecha avenida Paulista em SP

Manifestantes fecharam a avenida Paulista, em São Paulo, hoje para protestar contra o governo do presidente (sem partido) e a favor da vacina contra covid-19. A via está bloqueada nos dois sentidos.

O ato é marcado por forte presença de partidos de esquerda, centrais sindicais e outras entidades da esquerda. Os manifestantes começaram a se reunir na altura do Masp pouco antes das 15h —uma hora depois, já ocupavam as duas faixas da avenida até a rua da Consolação, onde seguem sentido praça Roosevelt.

Embora as pessoas usem máscara, há muita aglomeração e os carros de som têm dificuldade de passar. A cor vermelha domina o mar de pessoas na avenida, com bandeiras e balões de partidos como PT, PCO, PSOL, PC do B e PSTU, e de entidades como CUT, UNE e outras. O lema "fora, Bolsonaro" é uníssono entre os diferentes grupos.

A reportagem percorreu a avenida de lado a lado antes do começo da caminhada dos manifestantes e não encontrou bandeiras ou camisetas do PSDB, que prometeu participar apesar do confronto com manifestantes do PSTU registrado no último ato.

A Secretaria de Segurança Pública do estado comunicou que montará um "esquema especial de policiamento", com efetivo reforçado de 800 policiais. Segundo o órgão, as ações dos agentes serão monitoradas por câmeras fixas, móveis e corporais acopladas aos uniformes.

Manifestante segura cartaz com "e-mails da Pfizer" em protesto contra o governo Bolsonaro em São Paulo - Herculano Barreto Filho/UOL - Herculano Barreto Filho/UOL
Manifestante segura cartaz com "e-mails da Pfizer" em protesto contra o governo Bolsonaro em São Paulo
Imagem: Herculano Barreto Filho/UOL

Em meio aos cartazes, há até uma reprodução dos "e-mails da Pfizer" endereçados ao presidente, em referência ao vídeo do humorista Rafael Chalub, que ironizou as supostas ofertas de vacina ignoradas por Bolsonaro na pandemia.

"É uma tentativa de tornar lúdico algo que a gente vê no cenário político. Isso serve lembrar as pessoas que a gente já estaria vacinado se Bolsonaro tivesse feito o trabalho dele", disse Patrick Aguiar, 20 anos, estudante de Gestão Pública da USP.

Com um cartaz onde se lê a mensagem "Ele não", o pastor evangélico Márcio Pereira, 61, ostentava uma camisa com mensagem de apoio ao SUS e pedindo pela saída de Bolsonaro.

"O evangélico prega amor, justiça social e respeito à diversidade. Bolsonaro é o contrário disso. E representa um governo irresponsável, que não investiu na prevenção", lamentou.

Josué Rocha, da Frente Povo Sem Medo, comemora a mobilização de hoje, lembrando que mais de 500 atos estão ocorrendo em diferentes cidades brasileiras. "Nesse 4° dia nacional de mobilização, a Campanha Fora Bolsonaro reuniu mais de 500 atos em todo o Brasil para dizer que o povo não aceita mais Bolsonaro", disse. Segundo ele, o impeachment é "urgente". "O número de atos vem crescendo".

Rocha disse que entre as medidas de segurança contra a covid-19, as entidades organizaram brigadas de saúde, espalhadas pela avenida Paulista, distribuindo álcool em gel e máscaras para quem participa da manifestação. O número de pessoas sem máscaras, entretanto, é irrisório. Percorrendo a avenida de lado a lado, a reportagem só viu pessoas sem o acessório quando estavam consumindo alimentos ou bebidas.

Teve até mesmo torcedores identificados com os clubes de futebol no meio do ato, como um coletivo de torcedores do Palmeiras contra Bolsonaro, que usavam camisas do clube com a frase "Ditadura nunca mais".

Com a frase "democracia corinthiana", o metalúrgico Fábio Evangelista de Souza, 45, relembrou do movimento liderado pelos então jogadores Sócrates, Casagrande, Wladimir e Zenon na década de 1980.

"Eu era moleque na época. Mas nunca esqueci da mensagem deixada por eles. Sempre que a democracia estiver ameaçada, a gente tem que levantar essa bandeira. De vencer ou perder. Mas sempre pela democracia", disse.

Manifestante usa camisa do Palmeiras com a inscrição "Ditadura nunca mais" em protesto em São Paulo - Herculano Barreto Filho/UOL - Herculano Barreto Filho/UOL
Manifestante usa camisa do Palmeiras com a inscrição "Ditadura nunca mais" em protesto em São Paulo
Imagem: Herculano Barreto Filho/UOL