Política

MPF pura envolvimento | Governador de SC é alvo de busca e apreensão

MPF pura envolvimento | Governador de SC é alvo de busca e apreensão

O governador de Santa Catarina, Carlos Moisés (PSL), é alvo de um mandado de busca e apreensão hoje em investigação do MPF (Ministério Público Federal) sobre supostos desvios em contratos relacionados à Saúde. Além do governador, mais dois ex-integrantes do governo catarinense também tiveram mandados de busca autorizados contra eles pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça). Segundo a TV Globo, o mandado foi cumprido na Casa d'Agronômica, residência oficial do governador em Florianópolis.

Moisés tem atualmente dois processos de contra ele aprovados na Alesc (Assembleia Legislativa de Santa Catarina). Um deles é justamente pela suspeita de desvios que motivou a busca realizada pela PF (Polícia Federal) hoje.

Em nota, o governo de Santa Catarina disse para o UOL "que apoia todas as investigações necessárias para apurar eventuais irregularidades no processo de compra de respiradores e permanece à disposição das autoridades para colaborar".

Segundo o MPF, o governador teria participação na compra emergencial de 200 respiradores pulmonares por causa da pandemia do novo coronavírus. A aquisição, no valor de R$ 33 milhões, foi feita em março junto a uma empresa particular e tem seu contrato sob suspeita pelas investigações. Os respiradores não foram entregues, e o caso já motivou a saída dos secretários estaduais da Saúde e da Casa Civil.

As buscas de hoje são cumpridas pela PF com a ajuda de 30 agentes da corporação. No total, são cumpridos cinco mandados expedidos pelo STJ. O MPF não divulgou o nome dos demais alvos porque o caso tramita sob sigilo. A operação foi chamada de Pleumon e dá sequência à Operação O2, realizada ainda em maio dentro da mesma investigação.

São investigados os crimes de fraude à licitação, peculato, corrupção, concussão, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

MPF vê estrutura criminosa

No pedido feito ao STJ para os mandados, a subprocuradora-geral da República Lindôra Araújo justificou que os mandados eram necessários para apurar se a ordem de pagamento partiu de Moisés. O MPF também investiga a suposta lavagem do dinheiro desviado, que teria sido feita mediante ocultação e distanciamento da origem dos recursos públicos.

"Tais delitos comprometem a higidez e a credibilidade do governo do estado de Santa Catarina e põem em risco a saúde e a vida de toda a população catarinense, acometida dos males decorrentes da covid-19", afirmou Lindôra em nota do MPF.

A subprocuradora-geral afirma que os supostos desvios são "fatos praticados em contexto de suposta criminalidade organizada, sofisticada e estruturada com os mais altos aparatos de poder, contando com a articulação de agentes com poder econômico, elevado conhecimento jurídico, forte influência política e, inclusive, a autoridade máxima do Poder Executivo catarinense."

O lado do governo de SC

Em nota para o UOL, o governo de Santa Catarina disse que "foram entregues às autoridades policiais um celular e um computador que já haviam sido oferecidos previamente à investigação na data de 1º de julho".

O executivo ainda afirmou que "apoia todas as investigações necessárias para apurar eventuais irregularidades no processo de compra de respiradores e permanece à disposição das autoridades para colaborar".