Política

Mauricio Stycer | Política perde espaço no Emmy pós-Trump

Mauricio Stycer | Política perde espaço no Emmy pós-Trump

Uma das marcas da cerimônia de entrega do Emmy nos últimos anos, as alusões ao mundo político e as piadas com Donald Trump, desapareceram neste primeiro ano de governo de Joe Biden. O nome do novo presidente mal foi citado, e as primeiras polêmicas de sua administração, como a retirada das tropas americanas do Afeganistão, foram ignoradas (Debbie Allen fez uma menção brevíssima).

Com Jimmy Kimmel no comando da festa no ano passado, não faltaram piadas ("É claro que não temos público. Isso aqui não é um comício do Trump", disse). Este ano, com Cedric the Entertainer, a piada mais forte foi com a cantora Nicki Minaj, que alertou seus fãs sobre o risco de a vacina contra covid causar impotência ("'Eu fui vacinado e não tive uma reação como o amigo do primo de Nicki Minaj, ok?").

Os principais sites americanos notaram a baixa tonalidade política do Emmy 2021, mas não reclamaram. Nas redes sociais, alguns poucos espectadores observaram que a ausência de comentários sobre Biden no Emmy seria a prova de que as estrelas de Hollywood, que tendem a se posicionar mais à esquerda no espectro político, têm dois pesos e duas medidas.

Imagino que, por ainda não ter completado nem um ano na Presidência, Biden ganhou um "passe livre" em 2021. Nem mesmo o ator Jason Sudeikis, que imitava Biden em seus tempos de "Saturday Night Live", fez menção ao presidente ao receber o prêmio por seu papel em "Ted Lasso". Nos bastidores, Lorne Michaels, criador do humorístico, disse que Sudeikis voltará "em breve" ao programa.

Outro ponto ignorado durante a premiação foi a ausência de negros entre os vencedores como ator, ator coadjuvante, atriz e atriz coadjuvante. Embora vários tenham sido indicados, os 12 prêmios (em comédia, drama e minisséries) foram para intérpretes brancos. Houve tempo, na reta final da cerimônia, para algum comentário a respeito, mas nada foi dito.

A principal notícia sobre o Emmy foi a vitória da Netflix. O serviço de streaming ganhou o maior prêmio de drama ("The Crown) e minissérie ("Gambito da Rainha"). Entre 2013 a 2020, a empresa havia emplacado 30 indicações para melhor drama, comédia e minissérie (ou "série limitada"), sem nunca vencer nestas categorias, e frequentemente perdendo para a rival HBO.

Antes do prêmio de melhor drama para "The Crown", apenas um serviço de streaming, o Hulu, havia vencido nessa categoria, com "The Handmaid's Tale" em 2017. E nenhuma plataforma havia conquistado o prêmio de melhor minissérie.