Política

"Existe uma oposição sistemática muito grande": Senador Ney Suassuna pontua os desafios para aprovar projetos do Governo Bolsonaro e fala sobre avanços na Paraíba; assista

Senador entre 1995 e 2007, foi também Ministro do Governo Fernando Henrique Cardoso e vice-líder do Governo Lula, Ney Suassuna retornou ao Senado Federal no início desse mês, por conta da licença de Veneziano Vital do Rêgo. Suassuna deve ficar, no mínimo, até janeiro representando a Paraíba no Congresso Nacional.

Aos 79 anos, serão apenas quatro meses no exercício da função, mas demonstra ter bastante disposição para aprovar projetos e garantir recursos ao Estado. Em entrevista ao Polêmica Paraíba, o senador do Republicanos deu detalhes sobre o governo, suas prioridades, uma possível volta à disputa nas eleições e a vacina contra o novo coronavírus.

Governo x Oposição

Suplente de Veneziano Vital, que é líder do PSB e opositor ao Governo, Ney chegou ao Senado em outra situação. Ele se considera governista e criticou a oposição no país: “Eu sou de um partido que apoia o Governo, além do mais sou amigo do presidente há mais de 25 anos. Ele é uma pessoa que promete e cumpre. Não tem cumprido mais porque existe uma oposição sistemática muito grande. Na minha opinião, eu acho que ele está tentando fazer o correto, mas não é fácil porque a oposição é sistemática”.

Prioridades

Como prioridades, o senador falou sobre a garantia de recursos para obras e serviços na Paraíba: “As minhas prioridades são desatar os nós que as pessoas que são de oposição não conseguem desatar. O governador João [Azevêdo] me ligou e me disse que tinham dois empréstimos que estavam encalhados. Um de quase 50 milhões de dólares e o outro de quase 125 milhões de dólares. E realmente, se ponha no lugar do governo, se você é oposição, porque se interessar por isso?”.

“Ele me deu a missão num dia, no dia seguinte eu comuniquei que já estava publicado no Diário Oficial, fui a Casa Civil e consegui tirar de lá, por isso, a Paraíba conseguiu aprovação. No mesmo dia consegui que o Senado recebesse e pautasse também na comissão de economia”, relatou o senador.

A situação do Porto de Cabedelo também foi citada. O senador afirmou que a maior parte do porto está assoreada, com apenas oito metros de profundidade, quando deveria ter onze: “Isso faz com que qualquer navio acima de 35 toneladas não entre no porto. Eu estou correndo atrás para ver se o orçamento, que tem 400 milhões de reais para portos do Nordeste, e Pernambuco já levou 100, se a gente consegue tirar uma parte dessa”.

No âmbito nacional, Suassuna citou o debate sobre a continuidade do auxílio emergencial: “Na primeira leva, nós esperávamos 30 milhões, foram 70 milhões. Doeu no bolso na República, mas nós não podemos parar de ajudar”.

Reformas, impostos e teto de gastos

Ney Suassuna respondeu perguntas ainda sobre as Reformas Tributária e Administrativa e garantiu serem necessárias. Sobre a primeira, o senador afirmou que a dificuldade para aprovação está na aceitação dos estados e municípios.

Quanto a administrativa e o tópico que prevê o fim da estabilidade dos servidores, Suassuna se disse favorável, porém afirmou que a medida não deve servir para quem já está, mas sim para quem for começar.

Em discussão no Senado, a volta da CPMF gera polêmicas. Ney Suassuna afirmou ser difícil a aprovação devido a impopularidade do imposto. Já os impostos sobre transações financeiras, o ex-ministro afirmou ser mais provável, por ser uma novidade.

O teto de gastos foi discutido. Na visão do senador, em tempos de pandemia, é difícil achar esse limite: “Nós estamos com 90% do nosso PIB, já chegando aos 100% ou 110%. A gente vai poder gastar, porém vai vir inflação, vai ficar uma dívida maior e quem vai pagar é a juventude. A gente estava respirando bem, estava com mais dinheiro em dólar, colocado nos bancos de segurança. Mas hoje, estamos gastando praticamente o PIB. Isso é muito ruim, mas é necessário”.

Volta à política

Na entrevista, Suassuna afirmou que não tem intenção de voltar a disputar eleições: “Eu estou com 79 anos e a gente tem que saber a hora de sair. Quando acabar esse mandato, eu vou estar com 84 anos, é preciso dar espaço para os jovens”.

Durante as eleições municipais deste ano, o senador disse não estar apoiando nenhum candidato, em sua cidade natal, Campina Grande, ou em João Pessoa, por não ser o seu papel no momento: “Essa não é a minha área agora. Eu não posso tomar nenhuma posição, estou ocupando a vaga de um senador que é de oposição, então eu tenho que ter o cuidado de não criar nenhuma mágoa, minha obrigação é lutar pela Paraíba. Por hora, eu tenho que correr atrás do que os prefeitos paraibanos estão precisando”.

Pandemia e vacina

Na pandemia, vimos brigas políticas parecerem mais importantes do que a saúde pública. A discussão sobre a CoronaVac, produzida pela China, em parceria com o Instituto Butantan, foi assunto.

Ney Suassuna defendeu a imunização da população, independente de qual seja a origem da vacina: “É preciso procurar uma mediação. Eu acho que quem tem juízo vai tomar a vacina. Eu estou quase saindo daqui do país para tomar a vacina onde aparecer primeiro, porque infelizmente são os da minha idade que mais estão sofrendo”.