Política

Estado enfrenta apagão | Ida de Bolsonaro ao Amapá e MP da luz não aliviam pressão sobre Alcolumbres

Estado enfrenta apagão | Ida de Bolsonaro ao Amapá e MP da luz não aliviam pressão sobre Alcolumbres

Aliados do presidente do , Davi Alcolumbre (DEM-AP), avaliam que a (sem partido) ao Amapá e a medida provisória de isenção da conta de luz articuladas pelo senador não resolvem a insatisfação política da população do estado, que tem sofrido com problemas recorrentes de energia elétrica desde o apagão generalizado de 3 de novembro.

Bolsonaro foi a Macapá no sábado (21) a convite de Alcolumbre para e, em meio a afagos mútuos, ambos anunciaram uma MP que deverá isentar da conta de luz, por um mês, os consumidores afetados pelo blecaute. A expectativa é que o documento seja assinado até hoje pelo presidente da República.

Apesar da, e mesmo, ainda no mesmo dia, houve relatos de falta de luz. No domingo (22) à noite, chuva forte resultou na explosão de postes em bairro da capital.

A percepção de parte da população é que a articulação de Alcolumbre nada resolveu no estado, admitem aliados. Dessa forma, a bancada parlamentar do Amapá continua sendo cobrada por uma solução definitiva para a falta de luz. E, como Alcolumbre tomou as rédeas das articulações junto a Bolsonaro e buscou demonstrar ser o caminho de interlocução com o governo federal, o impacto negativo recai mais sobre ele e seu irmão Josiel (DEM), candidato à Prefeitura de Macapá, avaliam.

Ou seja, os esforços não devem render votos esperados para que Josiel Alcolumbre reverta a queda apontada nas pesquisas de intenção de voto — a eleição em Macapá foi adiada para os dias 6 e 20 de dezembro.

O irmão do presidente do Senado ainda tem o apoio das forças políticas no comando do estado hoje, mas recebe artilharia mais pesada dos concorrentes exatamente por passar a ideia de poder junto a Brasília.

Assim como os senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Lucas Barreto (PSD-AP), Davi Alcolumbre pediu, sem sucesso, ao governo uma prorrogação do auxílio emergencial ao estado — a alternativa dada foi a MP.

Na avaliação de um senador aliado, a MP da isenção temporária ajudará numa compensação, mas está longe de solucionar a crise sentida pelos amapaenses. Ações na Justiça para ressarcimento de equipamentos queimados, estoques refrigerados perdidos e danos morais são dadas como certas.

Ainda assim, integrantes do grupo político de Alcolumbre defendem que, se não fosse pela atuação do presidente do Senado em coordenação com parlamentares aliados, os problemas de energia poderiam se estender por, pelo menos, 60 dias.

A previsão do Ministério de Minas e Energia é que o fornecimento seja normalizado até quinta (26).

Fiasco político

Para um deputado da oposição ouvido pela reportagem, a visita de Bolsonaro ao lado de Alcolumbre foi um "fiasco político" —não apenas pela percepção contínua de que os problemas não foram totalmente resolvidos mas também porque bolsonaristas no estado não enxergam com bons olhos essa aproximação do presidente do Senado.

O que aliados de Alcolumbre e oposição concordam é que a bancada do Amapá no Congresso está sendo cobrada por um problema que não é, necessariamente, culpa dela, argumentam.

Comitiva é xingada nas ruas de Macapá durante visita de Bolsonaro

TV Folha

A falha que gerou o apagão numa subestação é apontada por políticos entrevistados pela reportagem como sendo de responsabilidade da empresa particular LMTE (Linhas de Macapá Transmissora de Energia), com críticas à fiscalização da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).

Por isso, nos bastidores, os políticos do Amapá pregam o que chama de "responsabilização coletiva" e o grupo de Alcolumbre deverá apoiar requerimento do oposicionista Randolfe Rodrigues para a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) no Senado. A intenção é que o colegiado investigue as causas do apagão e eventuais omissões, inclusive do governo federal.