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ONGS TÊM "VOZ E PODER": Produtores de soja que apoiam versão de Bolsonaro sobre queimadas, saem de associação do Agro

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Menos de 10 dias depois de sair em defesa do discurso ambiental de Jair Bolsonaro na abertura da Assembleia-Geral das Nações Unidas, o presidente da Associação Brasileira de Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Bartolomeu Braz Pereira, anunciou a saída da entidade da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) causando racha entre ruralistas.

Braz Pereira creditou a saída dos sojicultores da Abag à “voz e poder” que ONGs ambientais terial na associação do agronegócio. “A Abag estava denegrindo os produtores de soja”, afirmou Braz, usando termo racista, segundo o Valor Econômico. “Queremos mostrar o que acontece de verdade no campo”.

Segundo Fabrício Rosa, diretor da Aprosoja, as críticas referem-se principalmente à Moratória da Soja, um pacto pelo qual as tradings deixaram de comprar a oleaginosa produzida em áreas desmatadas na Amazônia depois de 2008. “A moratória passa uma imagem distorcida. Foi criada uma ilusão de que a agropecuária vai destruir a Amazônia. E isso nem é possível, e que a lei não permite”, disse.

Em nota assinada por seu presidente, Marcello Brito, a Abag lamentou a decisão da Aprosoja Brasil. “Nossa credibilidade, ação pela sustentabilidade, legalidade e atuação apolítica do Agro nacional no Brasil e no exterior é histórica e dispensa comentários”.

ExcelenteA decisão da Aprosoja acontece menos de 10 dias depois de o presidente da associação, Braz Pereira, classificar como “excelente” o discurso ambiental de Bolsonaro na ONU.

Em indireta à Abag e no mesmo tom de Bolsonaro, ele disse que existem “associações que estão amparando essas ONGs nesse modelo de levar essa imagem ruim do país para fora”.

“Eu queria saber qual o setor que consegue zerar a taxa de criminalidade no mundo? O desmatamento ambiental ilegal é 1% no Brasil. São questões de politicagem interna para prejudicar o Brasil”, afirmou.

Na mesma linha de Bolsonaro, Pereira critica a “falta de transparência” dos europeus. “Falta transparência do lado dos europeus, principalmente os franceses. Os franceses não têm mais competitividade. Eles desmataram muito e agora têm que defender seus próprios produtores atacando outras áreas”.