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O Deus do Fogo: Por que o Brasil não está em chamas? – por Anderson França

O Deus do Fogo: Por que o Brasil não está em chamas? – por Anderson França

Você entra no Carrefour Express da República, em São Paulo, com uma lata de querosene e um isqueiro. Duas coisas podem acontecer. A primeira, você pode ser abordado por um segurança do Carrefour. O Quinto Cavaleiro do Apocalipse é um segurança do Carrefour. Fico pensando se Hitler tivesse contratado seguranças do Carrefour em vez de nazistas, ele talvez governasse a Alemanha até hoje.

Se você for abordado por um segurança do Carrefour, esteja preparado para que ele seja a última pessoa com quem você vai falar. Ele pode simplesmente te retirar do mercado, ou pode matar você. E vai fazer isso, se você for preto.Se isso acontecer, e provavelmente vai, olhe em volta. Observe quantas pessoas vão olhar pra você com medo, e quantas vão olhar pra ele com medo. Talvez, é apenas uma suposição para fins da nossa discussão, as pessoas se sintam aliviadas por um segurança impor autoridade sobre você. E isso explica a diferença entre nós e os franceses.

A diferença não é a língua. Não é o vício em baguete. A diferença é que os franceses, por qualquer coisa, vão lá e tacam fogo em tudo. Um dia desses, assisti no noticiário uma cena muito diferente das exibidas no seriado “Emily in Paris”, na Netflix. Milhares de jovens incendiavam, quebravam e espalhavam o caos nas ruas da cidade, meta de vida de dez entre dez blogueiras de moda. Ao olhar pra Minneapolis, vi algumas das cenas mais impactantes, desde Los Angeles, 1992. Que inclusive, também tem documentário na Netflix. Não é um merchan da Netflix. Beleza e caos geram os melhores filmes. E se juntos, ganham prêmios.

As pessoas saem pras ruas, com a percepção de que é um direito protestar. Os excessos no protesto podem ocorrer. Mas a mensagem precisa ser dada. A semelhança entre França e Estados Unidos? Ambos são referências diplomáticas e políticas da democracia ocidental. O que significa que, até pra protestar, você precisa de um Estado que aceite tudo que um protesto implique, mesmo que alguns sejam presos. Porque o fogo precisa de oxigênio para existir. E oxigênio, pra protesto, são direitos. E direitos são garantidos em democracias. Não é assim no Hemisfério Sul.

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