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Manuel Merino toma posse como presidente do Peru

Manuel Merino toma posse como presidente do Peru

O presidente do Congresso peruano, Manuel Merino, tomou posse nesta terça-feira (10) como novo presidente do Peru, um dia após os congressistas aprovarem o impeachment de Martín Vizcarra por "incapacidade moral".

Merino, de 59 anos, assume a presidência até 28 de julho de 2021, quando entregará o poder a quem vencer as eleições gerais convocadas para o dia 11 de abril de 2021.

Em cerimônia realizada na câmara parlamentar, o primeiro vice-presidente do Congresso, Luis Valdez, tomou juramento de Merino, que até ontem era o chefe do Poder Legislativo, e lhe vestiu a faixa. O novo presidente será o responsável por completar o mandato 2016-2021, para o qual Pedro Pablo Kuczynski foi originalmente eleito.

Kuczynski, que renunciou ao cargo após ser denunciado por corrupção em caso envolvendo a Odebrecht, foi sucedido em 2018 por seu vice-presidente Martin Vizcarra, afastado pelo Congresso ontem por "incapacidade moral permanente". A retirada é consequência de uma denúncia de recebimento de propina há seis anos, quando era governador regional.

Eleições em 2021

Em seu discurso ao Congresso, o novo chefe de governo disse que seu primeiro compromisso é ratificar a convicção democrática e respeitar o processo eleitoral que está em andamento.

"O calendário eleitoral deve ser respeitado, ninguém pode mudar a data convocada para 11 de abril de 2021", destacou Merino, em resposta aos temores de que os partidos políticos na atual legislatura pretendam prorrogar seu mandato.

O Congresso atual foi eleito em janeiro deste ano, após o encerramento constitucional do Parlamento anterior que Vizcarra decretou em setembro de 2019. O novo também será eleito em abril do ano que vem

O novo governante também afirmou que os órgãos eleitorais devem ter a confiança de que seu trabalho será independente e de que receberão todos os recursos necessários para as eleições. Ele prometeu também garantir a imparcialidade do processo eleitoral.

Pandemia e economia

Merino se referiu à crise sanitária no país devido à pandemia da covid-19 e aos efeitos na economia que a doença vem causando desde março.

O presidente disse que manterá, "na medida do possível", as equipes que têm a responsabilidade de enfrentar a pandemia na linha de frente e que é essencial corrigir os erros para deixar de ser "o país com a pior gestão da crise sanitária".

Da mesma forma, Merino declarou que durante o seu governo a recuperação econômica acontecerá através do fortalecendo grandes e pequenas empresas, e criando empregos perdidos para a pandemia.

Posse gera protestos

Merino prometeu convocar um "gabinete de consenso e unidade nacional", composto por profissionais das mais altas qualificações e sem cores políticas. Ele também pediu o fim do confronto entre os poderes Executivo e Legislativo e quer calma e tranquilidade por parte da sua população, depois de protestos realizados durante a sua posse.

O novo chefe de Estado salientou que os votos que aprovaram o impeachment de Vizcarra não foram comprados e que além do debate político, que gera paixões, foi cumprido o devido processo. "Não há nada para celebrar, é um momento muito difícil para o país", refletiu.

Os integrantes do partido Morado, o único a ter se oposto à destituição presidencial em bloco, não compareceram à posse de Merino. "Não queríamos participar de uma tomada de poder ilegítima", justificou o presidente da legenda, Julio Guzmán.

Nas ruas, centenas de manifestantes protestavam nos arredores do Parlamento pela queda de Vizcarra, o que também aconteceu em outras cidades do país vizinho.

No final de seu discurso, Merino foi ao Palácio do Governo, onde dedicará as próximas horas a preparar o gabinete que o acompanhará durante o mandato.