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Holanda enviará exames de covid para os Emirados Árabes

Holanda enviará exames de covid para os Emirados Árabes

As autoridades sanitárias holandesas vão enviar o material genético colhido nos testes de PCR — que detecta o coronavírus — a um laboratório em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, para análise devido à saturação dos laboratórios da Holanda, que ultrapassou a barreira de 100 mil infecções desde março.

As autoridades holandesas já organizaram um transporte aéreo especial para levar os cotonetes com material genético dos holandeses testados para os Emirados,.

As aeronaves vão partir em um vôo de 6 horas para percorrer os mais de 5.000 quilômetros que separam Abu Dhabi do aeroporto de Schiphol, em Amsterdã.

O acordo foi confirmado pelo laboratório holandês Saltro que, junto com um laboratório irmão em Abu Dhabi e o Ministério da Saúde holandês, já está finalizando os detalhes finais do acordo, para ajudar na análise de amostras retiradas de potenciais pacientes com covid-19.

De acordo com a televisão holandesa NOS, que publicou um e-mail interno da Saltro, as primeiras amostras vão nesta quarta-feira (23) para Abu Dhabi com material genético de milhares de cidadãos que foram testados em Woerden, município da província de Utrecht, que tem contrato com a Saltro para análise de testes de coronavírus.

O ministro da Saúde, Hugo de Jonge, explicou ontem perante o parlamento holandês que vai assinar o contrato com um laboratório estrangeiro devido à capacidade reduzida que a Holanda enfrenta, embora tenha sublinhado que "numa situação normal, não teria assinado esse contrato "

No início de setembro, a gigante suíça Unilabs, líder na Europa no fornecimento de serviços de diagnóstico, adquiriu a Saltro, um dos maiores e mais inovadores centros de conhecimento e análise da Holanda. A Unilabs tem vários laboratórios nos Emirados, que vão cuidar dos testes de PCR holandeses.

Este acordo do governo holandês é a última das alternativas procuradas pelos Países Baixos para o alargamento da capacidade de ensaios a nível nacional, que segue outras iniciativas semelhantes que não conseguiram atenuar a saturação, como a assinatura de contratos com laboratórios comerciais na Alemanha e na Bélgica.

Conforme confirmado ontem pelas autoridades sanitárias, todos os dias uma média de 10 mil pessoas ficam de fora do sistema de exames devido à saturação dos laboratórios, que recebem cerca de 39 mil solicitações de consultas diárias para detecção do vírus.

Essa possibilidade agora está limitada a pessoas com sintomas óbvios de covid-19, mas não àquelas que são assintomáticas ou tiveram contato com outros positivos.

O governo holandês também anunciou a compra de mais materiais e aparelhos para testes de PCR, que estarão disponíveis a partir de outubro e permitirão a realização de cerca de 50 mil exames diários, ante 28 mil diários que podem ser feitos hoje.

A Holanda atingiu hoje 100.597 casos de covid-19 confirmados desde março, depois de registrar 2.364 positivos nesta quarta-feira, um novo recorde anunciado pelo Instituto de Saúde Pública, que alerta que o número total é certamente muito superior porque no início da pandemia poucos testes foram feitos.

As autoridades estimam que cerca de 1 milhão de holandeses tenham sido infectados com o coronavírus.