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Enfermeira vacina as duas avós | EUA: profissional estava há meses sem vê-las por causa da covid-19

Enfermeira vacina as duas avós | EUA: profissional estava há meses sem vê-las por causa da covid-19

Megan Patterson, 32, é uma enfermeira do estado norte-americano da Flórida que, desde o início da pandemia da covid-19, trabalha na linha de frente com o tratamento de pacientes contaminados com o vírus. Após um ano de trabalho duro, ela foi agraciada com a oportunidade de vacinar as duas avós dela, com quem teve pouco contato durante o período da pandemia em razão do risco de contaminação das idosas.

À medida que o número de casos de covid-19 aumentavam na Flórida, a diretoria do hospital em que Megan trabalha passou a pedir que enfermeiras se voluntariassem para trabalhar em uma unidade exclusiva para a doença, e ela atendeu ao chamado.

"Era difícil ter pacientes usando meu celular para fazer o FaceTime de seus familiares, de forma que eles pudessem vê-los e dizer oi ou, em alguns casos, dizer adeus", relatou à revista People.

Devido a sua exposição frequente ao vírus, Megan optou por limitar seu contato com outras pessoas. Suas queridas avós, Susan Patterson, apelidada carinhosamente de "Gramma" e Connie Dunaway, também conhecida como "Nana", foram alguns dos entes queridos mais afetados pela decisão da enfermeira.

"Foi tão difícil", lembra Megan. "Ambas têm DPOC [doença pulmonar obstrutiva crônica], então seus pulmões não estão na melhor forma", explicou Megan.

Enquanto crescia, Megan era muito próxima de ambas as avós. Ela conta que "Gramma" morou com ela e era uma espécie de figura materna, pois sua mãe era muito jovem, enquanto "Nana" sempre foi uma avó amiga.

Mas, apesar da relação próxima com as vovós, Megan teve que ficar distante delas. "A pior parte era não poder ficar perto da família... Eu ficava solitária", diz ela.

Eventualmente, as vacinas aprovadas começaram a ser lançadas e Megan pôde ver uma luz no fim do túnel, pois, na linha de frente do combate ao vírus, ela sentia que a vacinação era uma "passagem para a normalidade".

Quando finalmente chegou a hora, a profissional de saúde recebeu a vacina no hospital e, então, registrou as duas avós para entrarem na fila e receberem as suas doses do imunizante.

"Gramma" foi a primeira a ser vacinada, com uma dose da vacina da Moderna no início do ano. Naquele dia, Megan marcou de encontrá-la na fila das vacinas e, ao chegar a vez da vovó, o enfermeiro que administraria a dose sugeriu que Megan o fizesse.

"Foi completamente impulsivo", disse a neta, que não recusou o convite e teve o privilégio de vacinar a própria avó.

Algumas semanas depois, foi a vez de "Nana" e, convenientemente, Megan estava trabalhando na aplicação da vacina. "Nada foi encenado ou planejado. Eu era apenas a pessoa que tinha uma vaga e ela era a próxima na fila", explica ela. "Foi emocionante... e parece que tinha que ser assim."

Enquanto ela reflete sobre o momento especial com suas avós, Megan espera que sua história sirva de incentivo para as pessoas que têm dúvidas sobre a vacinação.

"Sinto-me muito confiante nesta vacina e espero que as pessoas em cima do muro levem isso em consideração, porque eu nunca daria nada que pudesse causar danos às pessoas de quem gosto tanto."

A enfermeira da linha de frente, finalmente, já pode abraçar as duas vovós amadas, que também tomaram a segunda dose do imunizante. Ela disse que a pandemia tem sido "uma época sombria" e espera dar "um pouco de luz ao mundo" com sua história.

O estado da Flórida acumula mais de 1,9 milhão de casos e 30 mil mortes em decorrência da covid-19