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Eleições nos EUA | Biden diz que Trump não enfrenta Putin e acusa Rússia de interferência

Eleições nos EUA | Biden diz que Trump não enfrenta Putin e acusa Rússia de interferência

Candidato à presidência dos Estados Unidos, o democrata Joe Biden acusou a Rússia de interferir nas eleições americanas e afirmou que Donald Trump não enfrenta o presidente Vladimir Putin. A declaração de Biden ocorreu durante debate promovido na noite de hoje, em Nashville, no Tennessee, que o UOL retransmite em parceira com a Band.

"Eu deixei bem claro que qualquer país, não importa qual seja, se interferiu nas eleições americanas irá pagar um preço. Está muito claro nessa eleição, a Rússia esteve envolvida, a China em algum grau, e nós descobrimos agora que Irã também está envolvido e eles pagarão se eu for eleito. Precisamos garantir a soberania dos Estados Unidos", disse ele.

"Até onde sabe o presidente [Donald Trump] não disse nada com o presidente Putin, não sei por que ele ainda não disse nada com o presidente da Rússia", provocou Biden, em seguida.

Em resposta, Donald Trump acusou Joe Biden de ter recebido US$ 3,5 milhões ainda na época em que era vice-presidente dos Estados Unidos, ao lado de Barack Obama.

"Ele [Joe Biden] recebeu US$ 3,5 milhões (R$ 19,5 milhões, na cotação atual) da Rússia, que vieram do [presidente] Putin. Ele era muito amigo do ex-prefeito de Moscou, da esposa desse ex-prefeito e sua família. Em algum dia você vai ter que explicar porque recebeu [essa quantia]", afirmou Trump.

"Todos os e-mails terríveis, o tipo de dinheiro que estava recebendo. Joe, você já era vice quando algumas coisas estavam acontecendo, isso nunca deveria ter ocorrido. Você deve uma explicação ao povo dos EUA", completou, em seguida.

Biden negou as acusações. "Não recebi nenhum centavo de nenhum outro país na minha vida. O que soubemos é que esse presidente pagou 15 vezes mais impostos com a conta bancária e negócios que tinha na China", afirmou Biden.

Debate mais calmo

Após o primeiro debate caótico, no qual Donald Trump discutiu até mesmo com o apresentador, a Comissão de Debates Presidenciais definiu uma nova regra: os microfones serão silenciados ao final do tempo dos candidatos. A intenção é evitar interrupções.

O debate de hoje ocorreu em Nashville, no Tennessee, e foi mediado pela jornalista Kristen Welker, da rede americana NBC.

Este é o segundo e último debate antes das eleições no dia 3 de novembro. Pesquisas de intenção de votos mostram Biden a frente de Trump com uma larga distância.

Ontem, o ex-presidente Barack Obama quebrou uma tradição de neutralidade e fez seu primeiro evento presencial em apoio a Joe Biden. Obama fez duros ataques à Trump e disse que o presidente contraiu covid-19 porque não conseguiu proteger nem a si mesmo.

O jornal americano The New York Times revelou ontem que o presidente Trump mantém uma conta secreta na China, país que ele ataca constantemente. "Imaginem se eu tivesse uma conta secreta quando estava concorrendo à reeleição", ironizou o Barack Obama.

Segundo a publicação, a conta é controlada por uma das empresas do mandatário, a Trump International Hotels Management, e pagou US$ 188,561 em taxas e impostos entre os anos de 2013 a 2015. A revelação ocorre semanas depois que o jornal mostrar que Trump pagou apenas US$ 750 em impostos nos Estados Unidos em 2016 e 2017.

Este será o primeiro debate entre os candidatos após Trump ter se infectado com o novo coronavírus. O presidente chegou a ser internado, porém recebeu alta e recebeu autorização para frequentar eventos públicos antes dos 14 dias de quarentena, o que gerou críticas ao médico que o atendeu.

Devido o diagnóstico positivo, o segundo debate entre os candidatos não ocorreu, pois Trump se recusou a fazê-lo de forma virtual.

A maneira como Trump conduziu a pandemia nos Estados Unidos é motivo de embate entre ele e Biden. Por um lado, Trump diz ter feito um bom trabalho e diz que o adversário teria quebrado a economia do país com um fechamento total das atividades. Biden, por outro lado, acusa o presidente de ter lidado mal com a situação e relembra que o mesmo minimizou a doença.

Os Estados Unidos são o país com maiores números de infecções e óbitos pela covid-19 e os números voltaram a crescer nas últimas semanas, incluindo em estados-pêndulos, fundamentais para as eleições. Especialistas temem que o país esteja a caminho de uma segunda onda, como ocorre na Europa.

Segundo a Universidade Johns Hopkins, o país tem 8.395.100 casos confirmados e 222.925 mortes.