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China nunca buscará hegemonia, diz Xi Jinping a líderes asiáticos

O presidente da China, Xi Jinping, disse a líderes dos dez países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), em uma cúpula nesta segunda-feira (22), que Pequim não “intimidaria” seus vizinhos regionais menores, em meio à crescente tensão no Mar do Sul da China.

As reivindicações territoriais de Pequim sobre o mar chocam-se com as de vários países do sudeste asiático e geraram alarme de Washington a Tóquio.

Mas Xi disse que a China nunca buscará hegemonia nem aproveitará seu tamanho para coagir países menores e trabalhará com a ASEAN para eliminar “interferência”.

“A China foi, é e sempre será uma boa vizinha, boa amiga e boa parceira da ASEAN”, disse Xi de acordo com a mídia estatal chinesa.

A afirmação de soberania da China sobre o Mar do Sul da China colocou-a contra os membros da ASEAN, Vietnã e Filipinas, enquanto Brunei, Taiwan e Malásia também reivindicam suas partes.

As Filipinas condenaram na última quinta-feira as ações de três navios da guarda costeira chinesa que bloquearam e usaram canhões de água em barcos de reabastecimento que se dirigiam a um atol ocupado pelas Filipinas no mar.

Os Estados Unidos na sexta-feira chamaram as ações chinesas de “perigosas, provocativas e injustificadas” e alertaram que um ataque armado a navios filipinos invocaria compromissos de defesa mútua dos EUA.

O presidente filipino, Rodrigo Duterte, disse na cúpula organizada por Xi que “abomina” a altercação e disse que o Estado de Direito é a única saída para a disputa. Ele se referiu a uma decisão de arbitragem internacional de 2016 que considerou que a reivindicação marítima da China ao mar não tinha base legal.

“Isso não fala bem das relações entre nossas nações”, disse Duterte, que deixará o cargo no próximo ano e foi criticado no passado por não condenar a conduta da China nas águas disputadas .

A ASEAN agrupa Brunei, Camboja, Indonésia, Laos, Malásia, Mianmar, Filipinas, Cingapura, Tailândia e Vietnã.

Xi disse na cúpula que a China e a ASEAN “expulsaram a escuridão da Guerra Fria” – quando a região foi devastada pela competição de superpotências e conflitos como a Guerra do Vietnã – e mantiveram conjuntamente a estabilidade regional.

A China frequentemente critica os Estados Unidos pelo “pensamento de Guerra Fria” quando Washington engaja seus aliados regionais para reagir contra a crescente influência militar e econômica de Pequim.

O presidente dos EUA, Joe Biden, juntou-se aos líderes da ASEAN para uma cúpula virtual em outubro e prometeu um maior envolvimento com a região.

A cúpula foi realizada sem um representante de Mianmar, disse o ministro das Relações Exteriores da Malásia, Saifuddin Abdullah, nesta segunda-feira. O motivo do não comparecimento não foi imediatamente esclarecido, e um porta-voz do governo militar de Mianmar não respondeu a ligações pedindo comentários.

A ASEAN afastou o líder da junta militar de Mianmar, Min Aung Hlaing, que liderou uma repressão sangrenta contra a dissidência desde que assumiu o poder em 1º de fevereiro, em cúpulas virtuais no mês passado sobre seu fracasso em fazer incursões na implementação de um plano de paz acordado, em uma exclusão sem precedentes para o bloco.

Mianmar recusou-se a enviar representação júnior e culpou a ASEAN por se afastar de seu princípio de não interferência e ceder à pressão ocidental.

A China fez lobby para que Min participasse da cúpula, segundo fontes diplomáticas.