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VivaBem | 'Me sentia sufocado': estresse no trânsito gera ansiedade; saiba como lidar

VivaBem | 'Me sentia sufocado': estresse no trânsito gera ansiedade; saiba como lidar

Depois de quatro horas de engarrafamento, ao voltar de um feriado de carona no carro de sua irmã, o empresário Félix Estigarribia, 46, sentiu-se tão estressado que desceu do carro em plena ponte Rio-Niterói e andou vários quilômetros. "A sensação é que estava sufocado, sem contar que sou alto, fui ficando com dor nas pernas. Chovia muito, tudo parado. Não aguentei, saí do carro, saí andando, fui até a Praça da Bandeira e peguei um ônibus", lembra.

Quem já ficou horas parado dentro do carro ou do transporte público já deve ter sentido o mesmo que Estigarribia. Isso porque o estresse se desenvolve frente a situações ameaçadoras. "No trânsito, nos deparamos com várias delas e que são potencialmente perigosas, como as imprudências dos outros motoristas, os congestionamentos, quando a pessoa se vê impedida de prosseguir, gerando dificuldades para chegar aos compromissos no horário. Não se deve esquecer ainda do estresse que vamos acumulando no dia a dia, no trabalho e na família", diz o psicólogo do trânsito, Fábio de Cristo, professor do curso de psicologia da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte).

O especialista lembra que o trânsito oferece elementos e situações que influenciam a maneira como interagimos com os demais. "É um espaço coletivo, com regras, sendo necessário saber conviver e negociar os interesses particulares. Por meio dessas situações, expressamos um pouco de quem somos, nossos preconceitos, valores".

Segundo o psicólogo Paulo Santana, sócio-diretor da empresa Autonomia no Trânsito, especializada em treinamento para condutores habilitados, a forma como a pessoa sente, percebe e interpreta uma determinada situação é fundamental, para que se desenvolva um comportamento de segurança. "Uma vez insegura, a instabilidade emocional e o risco funcionam como gatilhos que regularmente disparam respostas de medo e ansiedade e também de ordem fisiológica, como taquicardia, respiração ofegante ou limitada, sudorese, tremores e tensão muscular".

Trânsito intenso congestionado na Rodovia Castelo Branco - DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO CONTEÚDO - DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO CONTEÚDO
Imagem: DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO CONTEÚDO

Essas respostas fisiológicas são decorrentes da estimulação do sistema nervoso autônomo, que provoca a liberação de hormônios que, em quantidade maior, aumentam a taxa de batimento cardíaco e pressão arterial. Santana diz que o simples fato de se lembrar de uma situação dolorosa pode ser determinante para que o indivíduo se sinta paralisado, fuja ou se esquive de um veículo, seja particular ou coletivo.

A escritora Patrícia Santos, especialista em Anger Management (gerenciamento da raiva), pela Nama (National Anger Management Association), de Nova York (EUA), explica que ficar irritado é coisa fácil, principalmente quando estamos no trânsito ou em situações onde o corpo está em desconforto. A seguir, ela indica algumas atitudes que podem facilitar a retomada de controle quando se estiver em situações parecidas.

Para o motorista

- Vale a pena ficar com raiva disso?
- Vale a pena arruinar o resto do seu dia?
- Sua resposta é apropriada para a situação?
- Existe alguma coisa que você possa fazer sobre isso?

Para o usuário de transporte coletivo