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Todas são da Ásia | Das 30 maiores aéreas do mundo, apenas 4 tiveram lucro durante a crise da pandemia

Todas são da Ásia | Das 30 maiores aéreas do mundo, apenas 4 tiveram lucro durante a crise da pandemia

Em meio à maior crise da aviação mundial, apenas quatro das 30 maiores companhias aéreas do mundo conseguiram ter lucro durante a pandemia do novo coronavírus. Todas estão localizadas na Ásia. Apesar de serem focadas no transporte de passageiros, foi com as operações cargueiras que essas empresas conseguiram passar a crise com as contas no azul.

As empresas que conseguiram lucro durante a pandemia foram:

O resultado positivo do segundo trimestre foi tímido, mas um grande feito se comparado com os prejuízos de outras companhias aéreas.

Segundo um levantamento do jornal "The Wall Street Journal", a norte-americana Delta Airlines foi a que registrou as maiores perdas, com um prejuízo no segundo trimestre de US$ 4,82 bilhões. Na América do Sul, a Avianca teve perdas de US$ 230 milhões e o grupo Latam registrou resultado negativo de US$ 695 milhões.

Mesmo na região da Ásia, muitas companhias aéreas apresentaram resultados negativos durante o auge da pandemia do novo coronavírus. As japonesas All Nippon Airways e Japan Airlines tiveram prejuízo de US$ 1,48 bilhão e US$ 1,19 bilhão, respectivamente.

As chinesas China Southern Airlines, Air China, Hainan Airlines e China Eastern Airlines registraram perdas entre US$ 390 milhões e US$ 700 milhões. Na soma das quatro companhias aéreas, o prejuízo total foi de US$ 2,25 bilhões.

Foco no transporte de carga

Quando a pandemia começou, muitos países fecharam suas fronteiras para conter a disseminação do vírus, e as companhias aéreas chegaram a cancelaram mais de 90% dos voos. Muitos aviões utilizados para o transporte de passageiros foram estacionados. Isso acabou por reduzir também a capacidade de transporte de carga, já que as companhias aéreas utilizam o porão dos aviões de passageiros para isso.

Com a escassez de aviões e de espaço para carga, o valor do frete também aumentou, ajudando na rentabilidade do negócio. No caso das quatro companhias aéreas que conseguiram lucro nesse período, elas se beneficiaram por já terem uma frota considerável de aviões cargueiros. Além disso, também adaptaram aeronaves de passageiros, em alguns casos até mesmo retirando os assentos da cabine.

Não foram as únicas a fazer isso. A diferença é que, por estarem localizadas na Ásia, conseguiram fazer essa conversão de forma mais ágil. Além disso, precisaram enfrentar menos burocracia para conseguir autorização dos voos.

Na Korean Air, a receita com o transporte de cargas para as Américas teve aumento de 136% em relação ao mesmo período do ano passado.

Com isso, o transporte de carga, que em alguns casos representava apenas 20% das receitas no ano passado, passou para entre 72% (Korean Air) a 93% (China Airlines) no segundo trimestre deste ano.

Aéreas brasileiras

No Brasil, as companhias aéreas também estão apostando no transporte de carga durante a crise do novo coronavírus. Enquanto a procura de passageiros no mercado doméstico brasileiro recuou 89,9% entre abril e junho, a movimentação de carga por aviões teve uma queda mais branda, de 63%, de acordo com dados da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).

latam carga - Divulgação - Divulgação
Máscaras são transportadas na cabine de passageiros de um Boeing 777 da Latam
Imagem: Divulgação

A Latam e a Azul chegaram a adaptar alguns de seus voos de longo alcance para fazer voos até a China em busca de suprimentos médicos para o combate à pandemia. Somente na Latam, foram cerca de 50 voos entre o Brasil e a China. Na ida, a empresa ainda aproveitava a parada em Amsterdã (Holanda) para levar frutas e flores.

Apesar disso, as companhias aéreas brasileiras tiveram forte prejuízo no segundo trimestre do ano. A Azul teve resultado negativo de R$ 2,9 bilhões, enquanto a Gol registrou prejuízo de R$ 2 bilhões.

Na Latam, houve uma queda de receita de 75%, que só não foi pior por causa do aumento de 18,4% na receita de cargas. No grupo Latam, que inclui as operações em outros países, o prejuízo operacional totalizou US$ 694,8 milhões (R$ 3,8 bilhões) no segundo trimestre de 2020.