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Serviço gratuito | Projeto oferece apoio psicológico online para idosos em asilos

Serviço gratuito | Projeto oferece apoio psicológico online para idosos em asilos

Desde a chegada da covid-19, especialistas já alertavam para uma segunda pandemia que não demoraria a se instalar: a de transtornos psicológicos. Além do luto, do medo e das incertezas, o isolamento social prolongado também pode desencadear problemas como ansiedade e depressão - e agravar outros já existentes.

Para ajudar as pessoas afetadas dessa forma pelo coronavírus, a UEL (Universidade Estadual de Londrina) criou o Suporte Psicológico COVID-19, um projeto de extensão que oferece apoio gratuito e a distância. A iniciativa nasceu em março de 2020 e hoje conta com mais de 90 voluntários.

A ideia inicial era atender apenas os profissionais de saúde da linha de frente contra o vírus. Mas a notícia se espalhou pela imprensa local, e a equipe logo começou a ser procurada por outros profissionais, como bombeiros e policiais - e também por casas de repouso. "Foi então que decidimos atender esses outros grupos que também estavam sofrendo, direta ou indiretamente, com a pandemia", conta a psicóloga clínica Vanessa Santiago Ximenes, professora colaboradora da UEL e integrante do projeto.

Com essa mudança, os idosos passaram a receber um olhar especial por serem um grupo de alto risco - tanto pela maior vulnerabilidade ao vírus, quanto por já estarem mais isolados socialmente mesmo antes da pandemia.

"O ser humano, por natureza, gosta de estar junto com outras pessoas. Para o idoso, isso se torna ainda mais importante", afirma a psicóloga Juliana de Godoy, que oferece atendimento psicológico no projeto. "O valor de um abraço ou uma conversa fica muito maior para eles. Por isso, o isolamento imposto pela covid criou uma grande sensação de desamparo emocional, especialmente para aqueles em asilos", completa.

Por isso, ao contrário dos outros grupos, os idosos são procurados pelos próprios voluntários, que entram em contato com os asilos para mapear as necessidades. O atendimento acabou sendo estendido aos funcionários desses locais. "Muitos tiveram que se privar do contato com a família para não contaminar as pessoas no trabalho. Vimos casos de mães, por exemplo, que precisaram ter um acesso mais limitado aos filhos", conta Vanessa.

Bons resultados

O apoio psicológico pode envolver até quatro sessões — sempre de maneira remota e com foco em cuidar de queixas relacionadas à pandemia. A ferramenta a ser usada é definida em conjunto com o paciente (e, no caso dos idosos, com a ajuda dos funcionários das casas de repouso).

"Nós temos uma conversa inicial, geralmente via WhatsApp, e por lá combinamos como será feito o atendimento - se por chamada de vídeo ou ligação de áudio, por exemplo", explica Vanessa.

Se a pessoa ainda estiver precisando, o apoio pode se estender. Mas a psicóloga conta que isso não é muito comum. "Em muitos casos, o paciente só precisava conversar e nós conseguimos ajudá-lo a se sentir melhor com apenas uma sessão".

Apesar de reconhecer que a terapia online tem limitações, Juliana ressalta os bons resultados que tem obtido. "É desafiador, mas o que me move é ver que o paciente conseguiu repensar certas coisas, e que eu de alguma maneira fiz a diferença para essa vida", conta. "Há muitas pessoas que nos primeiros atendimentos só choram. Mas, no decorrer das sessões, conseguimos relembrar a importância da palavra esperança. A frase que eu mais uso é 'isso vai passar'. Porque vai mesmo, e muitas vezes nos esquecemos disso".

Ela ainda explica que o psicólogo tenta intervir de uma forma que crie novos olhares para a situação. "A gente não vai dizer o que a pessoa deve fazer, mas vai tentar encontrar no seu mundo, na sua história, recursos emocionais que possam ser usados para atravessar esse momento", completa.

Como dar suporte emocional aos idosos

Embora a iniciativa da UEL envolva atendimento especializado, as psicólogas listaram coisas simples que todos podem fazer para ajudar a aliviar a solidão e a angústia dos idosos (com pandemia ou sem).

"O ideal é começar por quem está perto, telefonando mais para os avós, por exemplo. Se não houver um parente, certamente há um vizinho. Uma simples ligação já vai fazer uma diferença enorme na saúde emocional dessa pessoa", aconselha Juliana. "Pedir para ouvir suas histórias, se interessar pelo que dizem, fazer perguntas, tudo isso é muito importante para eles".

Também é preciso se reinventar. "Temos que ser criativos para achar a melhor via de comunicação, que pode envolver carta, telefonema, um vídeo pelo WhatsApp", diz Vanessa. "Só não tem como ficar idealizando muito: a gente precisa focar no que é possível - e fazer!".