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Redução de passageiros | Arrecadação do Metrô com tarifa cai pela metade em São Paulo na pandemia

Redução de passageiros | Arrecadação do Metrô com tarifa cai pela metade em São Paulo na pandemia

A pandemia de covid-19 reduziu o número de passageiros transportados pelo metrô de São Paulo, derrubando em 50% a arrecadação com tarifa, segundo informação do próprio Metrô (Companhia do Metropolitano de São Paulo) repassada ao UOL por meio de LAI (Lei de Acesso à Informação).

Além dos que perderam o emprego na pandemia, muitos trabalhadores em home office deixaram de usar transporte público, enquanto outros descartaram o uso de ônibus, trem e metrô a fim de evitar aglomeração e as chances de acabarem infectados pelo novo coronavírus.

O Metrô repassou por LAI os valores arrecadados com passagens entre janeiro de 2019 e julho de 2021, período em que arrecadou R$ 4,6 bilhões.

Nos 14 meses que antecederam a pandemia (de janeiro de 2019 a fevereiro de 2020), o metrô arrecadou, em média, R$ 205,8 milhões por mês. Já nos 17 primeiros meses de pandemia (de março de 2020 a julho de 2021) a média caiu para R$ 102,5 amealhados, a metade.

Veja como foi a arrecadação em algumas datas:

Janeiro de 2019 foi o mês de maior arrecadação: R$ 218 milhões;

Fevereiro de 2020, um mês antes da pandemia: R$ 204 milhões;

Março de 2020, quando chega o vírus: R$ 173 milhões;

Abril de 2020 foi o mês com menor arrecadação: R$ 45 milhões.

Menos gente andando de metrô

O UOL usou o mesmo período informado para pesquisar o número de passageiros transportados pelas linhas do metrô. Ao comparar a quantidade de pessoas que utilizaram esse meio de transporte em julho de 2019 com julho de 2021, a queda foi de 54%, de 119 mil para 55 mil passageiros.

Veja outras datas:

Outubro de 2019 recebeu mais passageiros: 140 mil;

Fevereiro de 2020, um mês antes da pandemia: 117 mil;

Março de 2020, quando chega o vírus: 84 mil;

Abril de 2020 foi o mês com menos passageiros: 26 mil.

Como o Metrô manteve o serviço?

metro - Wanderley Preite Sobrinho/UOL - Wanderley Preite Sobrinho/UOL
Metrô da Linha 3-Vermelha
Imagem: Wanderley Preite Sobrinho/UOL

Ao UOL, o Metrô afirma que a arrecadação no setor caiu em todo o mundo em razão da pandemia, mas que pôde manter "a oferta máxima possível de trens circulando" graças a aportes do governo estadual, "que chegaram a R$ 1,6 bilhão na operação do sistema metropolitano (metrô, trens e ônibus intermunicipais) somente em 2020 e mais de 700 milhões em 2021".

A pasta não informou quanto dessa verba foi direcionada especificamente ao metrô, nem quanto economizou na pandemia, embora fale em "medidas de austeridade que permitiram reduzir as despesas gerais da empresa" e geração de "receitas não tarifárias", também não especificadas.

Especialista em mobilidade urbana, o professor de engenharia da Escola Politécnica da USP Mauro Zilbovicius defende o uso dessas "receitas não tarifárias", como propaganda e comércio nas estações, mas critica o modelo de financiamento do metrô, bancado primordialmente pela tarifa.

"É por isso que nosso metrô é tão pequeno em comparação com outros países", diz o professor ao lamentar o fato de "os custos da operação do metrô não serem públicos".

O custo da operação não depende do número de passageiros, que segue igual mesmo que o trem circule vazio ou lotado. Então, remunerar por passageiro tem esse risco: quando as coisas vão bem, pode haver lucro; quando a circulação cai, como na pandemia, acontece o inverso."
Mauro Zilbovicius explica, da USP

Para o especialista, o governo paulista deveria usar o exemplo de Osaka, no Japão, onde uma estação abriga um shopping e um hotel.

"Isso tudo é renda para o metrô, mas em São Paulo esse aproveitamento é mínimo, com shopping nas estações Tatuapé e Santa Cruz", diz. "Ao lado da estação Marechal Deodoro tem uma área vazia enorme, que já usaram como estacionamento, mas que poderia se transformar em um hotel e receber parte da renda."

A urbanista Silvana Zioni, coordenadora da pós-graduação em Planejamento e Gestão de Território da UFABC (Universidade Federal do ABC), concorda que o financiamento do transporte público não pode depender da tarifa, uma vez "que estamos falando de um serviço essencial" que precisa ser mantido mesmo em momentos de crise.

"Quanto custa a vacina contra a covid? Quanto custa a segurança pública? Isso tudo é de interesse social, como é o transporte público", afirma.