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Rede social | Magnetismo e covid-19: tudo o que o Facebook vai apagar para evitar fake news

Rede social | Magnetismo e covid-19: tudo o que o Facebook vai apagar para evitar fake news

Demorou, mas aconteceu. O Facebook anunciou finalmente que vai remover conteúdos que espalham desinformação sobre as vacinas contra a covid-19, como dizer que elas causam Alzheimer, tem magnetismo e que não são seguras para mulheres menstruadas.

Em comunicado oficial, a rede social afirmou que tem identificado em seus aplicativos, tanto no Facebook quanto no Instagram, "alegações (...) que as autoridades de saúde pública já desmentiram e identificaram como possíveis contribuidoras para danos físicos iminentes".

Apesar da iniciativa, a empresa fundada por Mark Zuckerberg ainda deixa aberta uma porta para esse tipo de conteúdo, desde que ele não apresente "risco de contribuir para danos físicos iminentes". Nesse caso, informa a nota, ele ainda receberá um rótulo de alerta e terá sua visibilidade reduzida, mas não será removido.

Conteúdos passíveis de remoção

O comunicado emitido pelo Facebook lista as seguintes afirmações, já desmentidas pela ciência, como possíveis de serem removidas dos aplicativos:

  1. Dizer que as vacinas contra a covid-19 causam Alzheimer, doença de Príon, paralisia de Bell, disfunções eréteis e que tenham magnetismo;
  2. Dizer que não é seguro para mulheres menstruadas serem vacinadas contra a covid-19;
  3. Dizer que estar perto de pessoas vacinadas pode causar efeitos adversos para pessoas não vacinadas;
  4. Dizer que a covid-19 não é transmitida pelo ar;
  5. E, por fim, dizer que máscaras faciais contêm nano vermes e outras partículas nocivas.

De acordo com o Facebook, essa nova medida é tomada devido ao trabalho conjunto da rede com organizações independentes de verificação de fatos.

Caça às fake news

Essa não é a primeira vez que o Facebook resolve tomar atitudes contra a proliferação de fake news. Em maio, a empresa anunciou que passaria a reduzir a visibilidade de conteúdo postado por disseminadores frequentes de notícias falsas, ainda que sejam postagens verídicas.

Além disso, a empresa se comprometeu a informar uma pessoa que queira curtir uma página difusora de desinformação de que o conteúdo lá encontrado é considerado "problemático", por meio de uma janela pop-up.

Outra inovação anunciada à época foi fazer com que pessoas que frequentemente compartilham notícias falsas sejam também convidadas a compartilhar essas mesmas informações já checadas. Porém, há uma exceção: nenhuma das regras se aplica a políticos.

Conteúdos falsos e política

Apesar de tratar com cautela maior o que considera como "discurso político", o Facebook suspendeu temporariamente a conta do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) na semana passada, por ter publicado frases supostamente ditas por Adolf Hitler. De acordo com a rede, a postagem que causou a suspensão havia sido removida por engano, e a página já foi restaurada.

A partir de 2016, quando o fenômeno das "fake news" se intensificou, o Facebook começou a trabalhar com agências de checagem de fatos para tentar reduzir o impacto que suas próprias plataformas têm no espalhamento de mentiras.

Em janeiro, por exemplo, a empresa de Zuckerberg disse que iria remover conteúdo com a frase "stop the steal" ("parem o roubo", em tradução livre), usada pelos apoiadores de Donald Trump, candidato derrotado à presidência dos Estados Unidos, para contestar o resultado das eleições.

Havia medo de que essas postagens pudessem incitar atos de violência, após a tentativa de invasão do Congresso, no início do ano.

Já em abril do ano passado, o Facebook e o Instagram apagaram um vídeo do presidente (sem partido), no qual ele dizia, sem comprovação científica, que o tratamento contra a covid-19 feito com hidroxicloroquina "está dando certo em todo lugar".

À época, a explicação foi que as redes estavam removendo todas as publicações que "fazem alegações falsas sobre curas, tratamentos, disponibilidade de serviços essenciais ou sobre a localização e gravidade do surto".

Antes disso, em fevereiro de 2020, o Facebook já havia esclarecido que baniria anúncios de "antídotos ou curas do coronavírus" das suas plataformas.

No entanto, em julho passado, a rede social deixou que Bolsonaro mantivesse no ar um vídeo em que tomava um comprimido de hidroxicloroquina e dizia "com toda certeza, está dando certo". Para o Facebook, aquela era uma "experiência pessoal" do presidente e removê-la seria "censura".