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Perigo no espaço | Lua tem níveis altos de radiação, e isso é má notícia para astronautas

Perigo no espaço | Lua tem níveis altos de radiação, e isso é má notícia para astronautas

Enquanto a Nasa se prepara para enviar astronautas novamente à Lua, um dos principais perigos do espaço é confirmado em nosso satélite: altos níveis de radiação, 200 vezes maiores que os da Terra. De acordo com uma nova pesquisa, seres humanos não podem ficar mais de dois meses em solo ou órbita lunar.

As missões Apollo, entre 1961 e 1972, provaram que é seguro passar alguns dias na superfície de nosso satélite. Os astronautas carregavam dosímetros para medir a radiação de cada local, porém, a agência espacial norte-americana não compilou ou estudou os dados diários. Assim, nunca foi calculado o tempo máximo que uma tripulação poderia permanecer.

Como os novos planos da Nasa, com o projeto Artemis, incluem a construção de uma base no polo Sul da Lua e a instalação de um laboratório em órbita, similar à Estação Espacial Internacional (ISS), é imprescindível saber: quanto tempo podemos ficar em nosso satélite sem riscos de problemas de saúde causados pela radioatividade?

Uma equipe de cientistas da China e da Alemanha acaba de responder essa dúvida, usando dados de experimentos da sonda chinesa Chang'E 4, que pousou no lado oculto da Lua em 2019. "A radiação que medimos na Lua é 200 vezes mais forte que na superfície da Terra e cinco a dez vezes maior que em um voo de Nova Iorque a Frankfurt", declarou Robert Wimmer-Schweingruber, astrofísico da Universidade de Kiel.

Considerando a duração da viagem, de aproximadamente uma semana entre ida e volta, "isso limita o tempo de permanência na Lua para cerca de dois meses", completou. A pesquisa foi .

De acordo com o estudo, astronautas em missões lunares sofreriam uma dose de 1,369 microsieverts (unidade que mede quanto de radiação é absorvida por nossos tecidos) por dia — cerca de 2,6 vezes maior que a enfrentada pela tripulação da ISS.

A estação é parcialmente protegida pela magnetosfera terrestre, uma espécie de bolha em volta do planeta, que desvia a maior parte da radiação proveniente do espaço. Lá, a dose é "apenas" cerca de dez vezes maior que a da Terra. Por isso, as tripulações ficam na ISS por vários meses, até um ano.

Radiação é energia emitida em forma de partículas ou ondas eletromagnéticas, que podem ter luz e calor visíveis (como infravermelho) ou nem serem sentidas (como raios-X e ondas de rádio). A nossa atmosfera, porém, nos protege de fontes espaciais potencialmente perigosas. Quanto mais alto, como em um avião, mais radiação nos atinge.

Já no espaço, há diversas fontes de radiação: raios cósmicos galácticos (GCRs), eventos esporádicos de partículas solares (como flares), raios gama e nêutrons liberados nas interações entre os corpos. Exposições prolongadas podem causar sintomas agudos e problemas crônicos de saúde em seres humanos, como catarata, câncer e doenças degenerativas do sistema nervoso e outros órgãos.

Para permitir que pessoas morem e trabalhem na Lua por períodos prolongados, seria preciso construir habitats com um escudo protetor. Wimmer-Schweingruber sugere que uma maneira eficiente seria recobrir a base com uma camada de 80 centímetros de solo lunar.

Artemis

"Um pequeno passo para o homem, um grande passo para a humanidade". A primeira vez que estivemos na Lua foi em 1969, com a missão Apollo 11, de Neil Armstrong e Buzz Aldrin. Doze pessoas diferentes já caminharam sobre solo lunar até a Apollo 17, a última missão tripulada, em 1972.

Se o projeto Artemis for bem-sucedido, um humano pisará em nosso satélite novamente em 2024, incluindo a primeira mulher. O objetivo é "alunissar" (pousar na Lua) e desembarcar a tripulação no polo Sul do satélite — um local diferente e mais desafiador do que os visitados durante o projeto Apollo —, mas eles ficarão lá por no máximo uma semana.

A Nasa aposta que o polo Sul da Lua tenha maior valor científico, já que provavelmente contêm grande quantidade de água congelada no fundo de crateras nunca tocadas pela luz do Sol.

A estrutura e experiência do projeto Artemis devem abrir o caminho para viagens tripuladas a Marte, por volta de 2030. Para elas, que duram anos, o desafio da radiação será ainda maior, precisando envolver naves com blindagem protetora e um sistema preciso de monitoramento e alertas. Também estão sendo desenvolvidas pesquisas sobre medicamentos que poderiam proteger nosso organismo.