Geral

Notícias | Vamos comemorar quando 70% do Brasil estiver vacinado, diz 1ª a receber imunizante da Oxford

Notícias | Vamos comemorar quando 70% do Brasil estiver vacinado, diz 1ª a receber imunizante da Oxford

Dez médicos foram os primeiros vacinados do país com a vacina da Universidade de Oxford/AstraZeneca importada da Índia. Os dois primeiros foram o infectologista Estevão Portela e a pneumologista Margareth Dalcolmo. Ambos atuam na linha de frente no combate à covid-19.

As primeiras imunizações foram feitas hoje em cerimônia da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), que tem parceria com a universidade e com o laboratório AstraZeneca para produzir a vacina no Brasil.

Portela integra o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), da Fiocruz, é doutor em medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e especialista no tratamento de pessoas com HIV. Margareth Dalcolmo atua no Centro de Referência Professor Hélio Fraga, da Fiocruz.

Médico infectologista e pesquisador na área de pesquisa clínica exemplar. À frente deste trabalho no centro hospitalar e investigador principal no Brasil, coordenador do nosso estudo para os tratamentos de solidariedade da OMS. Obrigada por seu trabalho

Nísia Trindade Lima, presidente da Fiocruz sobre Portela

A pneumologista Margareth Dalcolmo foi a segunda imunizada com a vacina de Oxford - Reprodução/CNN Brasil - Reprodução/CNN Brasil
A pneumologista Margareth Dalcolmo foi a segunda imunizada com a vacina de Oxford
Imagem: Reprodução/CNN Brasil

Desde o início da pandemia, Portela e Margareth estão atuando na linha de frente do combate à covid. Ela, inclusive, aos 62 anos, contraiu covid-19 logo no início da epidemia no país e se tratou em casa, sem usar a cloroquina, remédio sem eficácia comprovada para a doença, defendido pelo presidente (sem partido).

Logo após ser vacinada, Margareth falou com os repórteres e prestou homenagem aos profissionais de saúde que passaram "por momentos dificílimos".

Vai chegar um dia que realmente poderemos comemorar. Hoje é um dia simbólico. Nós vamos comemorar de verdade quando tivermos 70% da população vacinada

Margareth Dalcolmo, pneumologista

"Qualquer movimento que desestimule a população ou as pessoas a não tomarem a vacina, que é a única solução capaz de interromper a cadeia de transmissão e controlar uma pandemia desta magnitude, está fazendo um desserviço, uma desumanidade. Algo injustificável", completou.

A presidente da Fiocruz comemorou a vacinação da pneumologista.

"[Margareth] tem tido um papel extraordinário na comunicação, mas quero reforçar seu lado de médica, na melhor tradução da medicina humanista. É dedicadíssima, vem apoiando e dando suporte a nós mesmos, gestores, diante das perdas que temos vivido na nossa instituição, diante da realidade dura e difícil", disse.

A terceira imunizada foi a médica Sarah Ananda Gomes, que atua no Hospital Felício Rocho, em Belo Horizonte.

Segundo Nísia Trindade, Sarah escreveu um texto sobre a experiência de cuidar do próprio seu pai, o cônsul da Índia em Belo Horizonte. "É uma forma de homenagear os laços entre Brasil e Índia na vacinação", celebrou a presidente.

As vacinas da AstraZeneca, que também serão produzidas no Brasil pela Fiocruz, chegaram na noite de ontem (22) ao Rio de Janeiro e foram colocadas em caminhões com destino ao aeroporto do Galeão para distribuição aos estados, sob escolta da Polícia Federal.

Os imunizantes passaram por uma análise de segurança, um procedimento padrão da Anvisa, e na tarde de hoje começaram a sair as primeiras doses para distribuição. O Rio de Janeiro é o primeiro estado a receber as doses, seguido por Ceará, Amazonas e Paraná que também receberão ainda hoje.

O evento contou com representantes da Fiocruz, Oxford, governos do Rio e da Índia.

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, não esteve presente no evento. Segundo a presidente da Fiocruz, o ministro está no Amazonas, estado receberá 5% das doses do imunizante. Ontem o ministério informou que o estado é prioridade na vacinação devido ao "maior risco".

A vacina de Oxford é aplicada em duas doses, mas, como explicou a Fiocruz, o intervalo entre a primeira e a segunda dose pode ser de até três meses —tempo analisado no estudo.