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Notícias | Laje do Gardenal: o que favoreceu a formação da onda mais perigosa no Rio

Notícias | Laje do Gardenal: o que favoreceu a formação da onda mais perigosa no Rio

A frente fria que chegou ao Rio de Janeiro derrubando os termômetros no final de semana não foi comemorada apenas por quem clamava por dias mais frescos. A mudança do tempo provocou ressaca no mar e a formação de uma onda rara no verão —para a felicidade dos surfistas.

Considerada a onda mais perigosa do Rio, a Laje do Gardenal —nome de um remédio psiquiátrico— exige experiência e cuidados redobrados. As ondulações de até 3 m foram fotografadas no último domingo (7) a 2 km mar adentro na Barra da Tijuca, zona oeste carioca.

O oceanógrafo David Zee, professor da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), explicou que o contato da frente fria com a massa de ar quente provocou choque térmico e grande transferência de energias favorecendo a formação das grandes ondas. Ele pontuou que a cidade ficou mais de um mês sem chuva, com calor intenso.

"Estávamos com quadro de zona de insolação e calor muito grande, deixando uma área de estabilidade e mar calmo. Quando ocorre de o calor e o frio se encontrarem, ocorre troca de energia grande e foi isso que aconteceu. Houve choque térmico que favoreceu a transferência de energia e essa ondulação."

Laje do Gardenal - Affonso Dalle/Divulgação - Affonso Dalle/Divulgação
Laje do Gardenal
Imagem: Affonso Dalle/Divulgação

Por que Gardenal?

O fotógrafo AffonsoDalle —que registrou as ondas com os bodyboarders Eric Poseidon e Felipe Padilha— explicou que a Laje do Gardenal é uma onda que quebra para a esquerda sobre uma ilhota e um fundo raso de pedras.

É a dificuldade e os riscos para surfá-la que fizeram com que a onda fosse chamada de Gardenal. Para chegar no ponto certo —pico conhecido como Cartão Postal— o grupo enfrentou correnteza forte por 2 km mar adentro.

"No verão não costuma acontecer a ressaca necessária para essa onda. Ela acontece geralmente no inverno. É uma combinação certa, e tudo se encaixou nesse dia. Fomos para a região das ilhotas [na Barra da Tijuca]. Estava uma corrente muito forte, foi uma briga com a correnteza, estávamos com jet ski. É muito perigo, em alto mar, tem que ter equipamento e os bodyboarders são profissionais", relatou Dalle.

Essa foi a terceira vez que Eric Poseidon surfou a Laje do Gardenal. Ele explicou que se trata de um tubo, com até 10 segundos de duração. A onda é considerada de altíssimo risco por se formar em um fundo de pedra.

"É uma onda temida, pois pode te arremessar na ilha. O risco é muito alto porque a bancada é de pedra. É uma massa gigantesca oceânica que se forma e vai em direção à ilha e encontra a parte mais rasa e quebra", contou o surfista ao UOL.