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Julie Dorrico | Bayawí - Casa de Saber busca revitalizar cultura Tukano e Dessano

Julie Dorrico | Bayawí - Casa de Saber busca revitalizar cultura Tukano e Dessano

Os anciões do povo Tukano, autodenominação Ye?pâ-Masa, e do povo Dessano, autodenominação Ümükóhori Mahsã (gente do universo) motivados em revitalizar suas culturas ancestrais na Comunidade Balaio, localizada na Terra Indígena Balaio, a 100 km da sede do Município de São Gabriel da Cachoeira, estado do Amazonas, inauguraram (dia 03/07) a Casa de Saber - Bayawí para que os mais jovens possam aprender os ensinamentos culturais dos povos.

Inauguração na pandemia

Bayawí é uma casa cultural construída na Comunidade Balaio pelos próprios moradores da comunidade. Para o levantamento do espaço cultural, a comunidade contou com o majoritário apoio financeiro de Kurt Show e Rita da Silva, e ainda com a FOIRN (Federação das Organizações Indígenas do Alto Rio Negro), Distrito Sanitário Especial Indígena do Alto Rio Negro (Dsei-ARN) e Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi).

A inauguração prevista ainda para 2020 foi adiada diante da eclosão da pandemia de covid-19 que atingiu duramente o estado do Amazonas. Foi a pandemia, porém, que evidenciou a necessidade da transmissão dos conhecimentos medicinais aos mais jovens, uma vez que a comunidade recorreu aos conhecimentos científicos ancestrais para, enquanto não vinha a vacina, protegerem-se do vírus em curso.

A Bayawí - Casa de Saber foi inaugurada com o ritual Pô?sé, em língua Tukano, mais conhecido como Dabucuri, na língua portuguesa, que é um evento de celebração e acolhimento aos parentes (como se chamam os indígenas entre si). Importante lembrar que a Lei Municipal de São Gabriel da Cachoeira reconheceu as línguas indígenas no território e co-oficializou em 22 de novembro de 2002, pela Lei Municipal nº 145, as línguas tukano, baniwa e o nheengatu.

Para além da covid-19, Adelina Sampaio, ou Miriõ, seu nome indígena Dessano, ativista e atuante na Bayawí, destaca que os conhecimentos das plantas pelos mais velhos tem eficácia no tratamento contra mordida de cobra peçonhenta, evitando a amputação, muitas vezes desnecessária, mas frequentemente realizada pelos médicos da cidade. Também são eles que conhecem remédios que previnem e tratam doenças cancerígenas. Remédios naturais para fortalecimento da imunidade também foram usados para proteção contra a covid-19.

Representação dos dois povos

A Casa de Saber busca ser um espaço de difusão de conhecimento Ye?pâ-Masa e Ümükóhri Mahsõ, por isso compartilha em cada um dos lados da Bayawí, respectivamente, grafismos que simbolizam os povos. O grafismo tukano à esquerda são os utilizados nos bancos, e os dessano, à direita, os utilizados nos trajes de cerimônias.

Ricardo Marinho Veloso e Jacinta Sampaio, que organiza as oficinas de plantas medicinais, são alguns dos velhos que estão à frente do projeto de fortalecimento cultural, mas Adélia Sampaio destaca que a Casa é uma iniciativa coletiva. Segundo a FOIRN, a Casa de Saber é mais uma das que estão sendo erguidas na região do Rio Negro, uma vez que as comunidades indígenas têm buscado cada vez mais organizar-se para a defesa de seus conhecimentos.

Lançamento do filme "O Dabucuri"

1 - Usina da Imaginação/Reprodução - Usina da Imaginação/Reprodução
Jacinta Sampaio
Imagem: Usina da Imaginação/Reprodução

A história da Bayawí - Casa de Saber virou documentário pela Usina da Imaginação, sob direção e produção de Rita de Cácia Oenning da Silva e Kurt Shaw. Os diretores retratam a luta da uma comunidade indígena Balaio para resgatar seu passado com a festa do Dabucuri. O documentário está em fase de pós-produção.