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Josias de Souza | Michelle precisa acender a luz do seu programa

Josias de Souza | Michelle precisa acender a luz do seu programa

A família Bolsonaro é mais ou menos como sarampo. Se não cuidar, deixa marcas. Michelle Bolsonaro já convive com a erupção de R$ 89 mil que o caso da rachadinha deixou na sua conta bancária. Precisa acender a luz do programa Pátria Voluntária, que preside. Do contrário, podem surgir novas infecções em sua biografia.

Deve-se à repórter Constança Rezende a descoberta de que foi parar na caixa registradora do programa da primeira-dama uma doação de R$ 7,5 milhões feita pelo frigorífico Marfrig para que o Ministério da Saúde comprasse testes rápidos de Covid-19. Na versão oficial, a verba foi usada para distribuir cestas básicas. Curioso!

No total, o programa de Michelle coletou R$ 10,9 milhões desde abril. Já aplicou R$ 4,3 milhões. Fez isso sem divulgar um mísero edital público. Muito curioso! Entre as entidades que receberam recursos há ONGs que desfrutam da estima da ministra Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos). Curiosíssimo!!!

Com otimismo, há pelo menos um déficit de transparência no Pátria Voluntária. Com pessimismo, pode haver algo mais. Bolsonaro deveria considerar a sério a hipótese de blindar sua mulher, imunizando-a contra dissabores.

A história mostra que, no serviço voluntário das primeiras-damas, a virtude pode ser apenas um trissílabo como comunhão. Ou, digamos, confusão. Rosane Collor, por exemplo, deixou a Legião Brasileira de Assistência arrastando denúncias que a perseguiram por anos.