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Insegurança alimentar | Pandemia aumenta fome nos EUA, problema que atinge 50 milhões de pessoas

Insegurança alimentar | Pandemia aumenta fome nos EUA, problema que atinge 50 milhões de pessoas

Quase um sexto dos 330 milhões de americanos está sofrendo insegurança alimentar. Nos Estados Unidos (EUA), há 50 milhões de pessoas nessa condição. Desse total, 17 milhões são crianças.

A insegurança alimentar cresceu 50% com a pandemia de coronavírus. Antes da covid-19, esse problema atingia pouco mais de 10% da população. Havia 35 milhões de pessoas (11 milhões de crianças) sem acesso a uma alimentação diária necessária em termos de qualidade e quantidade.

O agravamento da pandemia de coronavírus e o bloqueio do presidente Donald Trump no Congresso a um novo pacote de ajuda econômica contribuíram para aumentar a insegurança alimentar nos EUA. Estados como Califórnia, Texas e Wisconsin têm filas enormes de pessoas nas ruas ou em seus carros para buscar comida.

Segundo uma pesquisa divulgada na semana passada pelo instituto OnePoll, 40% dos americanos disseram que experimentaram na pandemia algum tipo de insegurança alimentar pela primeira vez em suas vidas. Nesse percentual, estão incluídas pessoas que vivem uma rotina de falta de alimentos necessários para viver de forma minimamente adequada, mas também quem passou algum tipo de sufoco, como comprar menos comida ou se preocupar se poderia bancar a alimentação sua e da família.

Sem um novo pacote de ajuda econômica, os EUA usam seus programas tradicionais de segurança alimentar, como aqueles que preveem assistência nutricional suplementar de modo geral, ou ações mais focadas em mulheres e crianças.

Bancos de alimentos estão sendo reforçados em várias cidades americanas, como Los Angeles na Califórnia, Dallas no Texas e Madison no Wisconsin. A demanda por alimentos tem estressado os estoques desses bancos. Na imprensa americana, há cenas que mostram filas de pessoas dando volta em quarteirões e também carros enfileirados em estacionamentos. Todos em busca de comida.

No Brasil, não há dados oficiais sobre a insegurança alimentar em 2020. Mas a Ação Cidadania estima que quase a metade dos 210 milhões de brasileiros esteja vivendo algum tipo de insegurança alimentar neste ano.

Daniel Souza, filho do sociólgo Herbert de Souza (Betinho) e presidente do conselho da ONG Ação Cidadania, diz que a atual situação do Brasil é preocupante: "Se agora a gente já tem mais de 50 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza, que já são números assustadores, o fim do auxílio emergencial vai levar o país para um nível de miséria e pobreza que a gente nunca viu. (...) Nós só saberemos os reais números de 2020 daqui dois ou três anos, mas hoje nós já ultrapassamos a marca de 100 milhões de brasileiros com algum nível de insegurança alimentar".