Geral

Governo ainda não respondeu | OMS pede a Queiroga que explique situação do Brasil ao mundo

Governo ainda não respondeu | OMS pede a Queiroga que explique situação do Brasil ao mundo

A OMS (Organização Mundial da Saúde) quer que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, se apresente diante da imprensa internacional e explique a situação brasileira. A iniciativa partiu do diretor-geral da entidade, Tedros Ghebreyesus, que vem usando as coletivas de imprensa que regularmente realiza em Genebra para apresentar situações específicas de certas regiões do mundo ou países.

Em média, esses encontros com a imprensa reúnem centenas de jornalistas de todo o mundo e são acompanhadas com atenção por governos estrangeiros para tentar identificar as mensagens e preocupações da OMS.

A coluna apurou que a participação do brasileiro poderia ocorrer no dia 30 de abril. No governo, a pasta da Saúde indicou que ainda não tem uma posição oficial. Entre os representantes da agência, ainda se aguarda uma sinalização por parte do ministro brasileiro.

Um dos temores é de que, diante de uma imagem internacional do Brasil deteriorada, Queiroga seja alvo de uma avalanche de questionamentos e críticas por parte de jornalistas de todo o mundo.

Uma eventual vitória contra a pandemia no Brasil é considerada, dentro da OMS, como um potencial ponto de virada da história da crise sanitária global. Hoje, o país representa pelo menos um quarto das novas mortes no mundo e o temor é de que, com uma vacinação lenta, espaço seja aberto para a proliferação de variantes do vírus.

O caso brasileiro, portanto, seria usado na OMS para mostrar ao mundo que não há como relaxar medidas sanitárias, sob o risco de ver uma eclosão do próprio sistema de saúde. Ao longo dos últimos meses, casos como o de Manaus foram usados pela agência para alertar a outros governos sobre a implicação de uma estratégia que prevê a maior circulação do vírus.

Queiroga, ao acenar há um mês uma vontade de se aproximar da OMS, abriu dentro da agência uma esperança de que finalmente haveria um canal para a atuação do organismo internacional, algo que era resistido durante meses pelo Itamaraty e pelo Ministério da Saúde.

Chamou a atenção da direção da OMS o fato de o novo ministro ter sido transparente em descrever a crise brasileira. Queiroga buscava uma ajuda internacional e a antecipação do envio de doses de vacinas, além do aumento da produção local.

Mas a postura se contratou com a de outros representantes do governo. Em 2020, por exemplo, o ex-ministro Eduardo Pazuello chegou a participar de uma reunião da OMS. Mas não citou os mortos e insistiu que o Brasil era "líder" na recuperação de pacientes.

Da parte da ex-embaixadora do Brasil em Genebra, Maria Nazareth Farani Azevedo, suas participações repetiam mantras do governo de que ações "consistentes" estavam sendo tomadas no país para lidar com a crise.

Mas a OMS insiste que a resposta não pode ser apenas a vacinação, já que essa não seria um instrumento para lidar com emergências. Tanto para Queiroga como aos grupos técnicos, a OMS insiste que medidas de saúde pública, distanciamento, testes, isolamento de pessoas infectadas e rastrear os contatos precisam ocorrer. Sem isso, na avaliação da agência, o Brasil não conseguirá frear a pandemia.

Mesmo se o ministro não participar, o Brasil continuará no foco internacional. Para maior, o grupo de que foi estabelecido pela OMS para avaliar a resposta do mundo diante da crise apresentará seu informe e promete incluir uma avaliação do comportamento brasileiro diante da pandemia.