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Gestão federal | Oyama: Ramos e Paulo Guedes provam que Bolsonaro fez do governo um hospício

Gestão federal | Oyama: Ramos e Paulo Guedes provam que Bolsonaro fez do governo um hospício

Logo no início da pandemia, em março de 2020, um grupo de advogados de Brasília encaminhou representação ao Ministério Público pedindo que o presidente fosse submetido a avaliação psiquiátrica.

Bolsonaro havia acabado de voltar de uma viagem aos Estados Unidos onde deu entrevista dizendo que a pandemia era "muito mais uma fantasia que a grande mídia propaga pelo mundo todo". Na volta, quando já se sabia que onze membros da sua comitiva haviam testado positivo para o coronavírus, ele desceu a rampa do Palácio do Planalto para juntar-se a um grupo de apoiadores, cujas mãos apertou despreocupado.

Na representação ao MP, o grupo de advogados dizia que o comportamento do presidente configurava "considerável grau de desorientação e confusão psíquica".

De lá para cá, Bolsonaro fez coisa muito pior, mas elas passaram a assustar cada vez menos. O extraordinário, de tanto se repetir, acaba virando paisagem.

Nos últimos dias, porém, saltou aos olhos um fenômeno novo envolvendo o comportamento do presidente.

Auxiliares próximos a ele passaram a demonstrar comportamentos preocupantemente embaraçosos.

No domingo passado, o general Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, decidiu passear em um shopping sem máscara e, cobrado, fez graça perguntando onde se comprava uma. Pazuello é o alvo número um da recém-instalada CPI que Bolsonaro tanto teme, e que vai investigar as omissões de seu governo no combate à pandemia.

Ontem, outro general importante do Planalto, . E também porque, afinal de contas, tem "uma mulher linda e dois netos maravilhosos" e pretende "viver, pô". Horas depois de dizer que tomou vacina escondido, Ramos postou mensagem negando ter dito que tomou vacina escondido.

Na mesma noite, num evento gravado, o ministro da Economia, Paulo Guedes, acusou a China, o maior parceiro comercial do país, de ter "inventado" o coronavírus. Em sua fala, o comandante da economia pontuou ainda que a vacina fabricada pelo país responsável por 95% dos imunizantes e insumos dos quais depende o Brasil não é lá essas coisas (a "dos americanos" seria melhor). O ministro disse também que a Saúde está quebrada inclusive porque tem gente que quer viver "100, 120, 130 anos" (quanto egoísmo).

Como só loucos rasgam dinheiro, na segunda-feira, o Banco Central anunciou que os investidores estrangeiros retiraram 2,1 bilhões de dólares do mercado de ações e títulos públicos do Brasil, quebrando um ciclo de nove meses de resultados positivos no setor.

Os parâmetros de sanidade reinantes no Palácio do Planalto emanam do chefe. O chefe é Bolsonaro. Antes de quebrar o Brasil, portanto, Bolsonaro consumará o trabalho que iniciou, o de transformar o governo num grande manicômio.