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Economia | O que fazer com as ações da Petrobras: compra, vende ou mantém?

Economia | O que fazer com as ações da Petrobras: compra, vende ou mantém?

Os acontecimentos da última semana e a indicação, feita pelo presidente (sem partido), de um general para a presidência da Petrobras (PETR4) não está rendendo bons frutos a companhia. Neste momento (às 12h43), a empresa opera em forte queda, de mais de 20%, na Bolsa de Valores, puxando o Ibovespa para uma queda de mais de 5%.

A pergunta dos investidores, e de quem quer entrar agora na Bolsa, é: o que fazer com as ações? Quem tem é hora de vender, manter ou comprar mais? E quem quer entrar agora: esse é o momento?

O UOL ouviu analistas de mercado e eles não estão unânimes em suas indicações. Veja o que fazer, segundo eles.

Quem aposta na venda

Gabriel Francisco, analista da ResearchXP Investimentos, "não há mais como defender" a empresa e a recomendação é de venda, com preço-alvo da açã revisado de R$ 32 para R$ 24.

Vemos esse anúncio (da indicação de um novo presidente) como uma sinalização negativa, tanto de uma perspectiva de governança, dados os riscos para a independência de gestão da Petrobras, como também por implicar riscos de que a companhia continue a praticar uma política de preços de combustíveis em linha com referências internacionais de preços, ou seja, que reflitam as variações dos preços de petróleo e câmbio. Em nossa opinião, existem muitas incertezas para justificar uma tese de investimento na Petrobras, e acreditamos que as ações deverão daqui em diante negociar com um desconto mais alto em relação ao histórico e a outras petroleiras globais.

Embora recomenda a venda, IlanArbetman, analista Research Ativa Investimentos, pede cautela ao investidor.

Com os mercados em queda, dificilmente quem possuía a ação irá conseguir algum preço aceitável (para a venda) nesse primeiro momento. Ademais, nunca é aconselhável agir de forma intempestiva. Ter cautela nos momentos de estresse é fundamental para o investidor de longo prazo.

Felipe Miranda, sócio-fundador da Empiricus, não viu novidade nos últimos acontecimentos.

O que aconteceu nos últimos dias foi bastante grave. Não podemos tergiversar sobre isso. Todos sabíamos da falta de convicção liberal do presidente, dos interesses eleitoreiros, do populismo e das dificuldades institucionais típicas do Brasil. Não são esses os fatos novos. Nenhuma novidade aí. Eu já não recomendava as ações antes. Agora, ainda mais.

Rodrigo H. Yamamoto, analista de investimentos da Levante, vê risco alto e não recomenda a compra.

O risco de estar comprado nas ações da Petrobras, mesmo com essa queda em torno de 20% durante o pregão desta segunda-feira (22), é muito grande, pois os fundamentos de longo prazo podem ser afetados com uma ingerência deste calibre no comando da Petrobras, que pode evoluir para um controle de preços de maneira artificial, prejudicar as negociações para a venda das refinarias e descarrilhar o plano de redução de endividamento da companhia. Preferimos ficar de fora dessa volatilidade e incerteza grande em relação ao futuro da Petrobras, assumindo um prejuízo, porém limitado, analisando de maneira mais profunda e de perto os desdobramentos da decisão do governo federal.

Quem aposta na compra

Apesar de boa parte dos analistas recomendarem a venda, há quem veja oportunidade com a forte queda nos preços das ações da companhia.

Regis Chinchila, Analista da Terra Investimentos, vê essa possibilidade, mas considerando prazo, patamar de preço e lembrando que a reunião do Conselho de Administração, que acontecerá nesta terça-feira (23), pode mudar tudo. "Sendo assim, é importante o investidor estar alinhado ao momento difícil e de alto risco".

O momento atual da Petrobras está condicionado há muitas variáveis e incertezas sobre a continuidade de suas políticas implementadas recentemente no comando do Castello Branco. Nesse momento de aversão ao risco, o investidor deve refletir sobre os prazos de investimentos, nesse sentido podemos verificar uma oportunidade de compra próximo ao patamar de R$20,00.

Enrico Cozzolino, analista do Daycoval Investimentos, também acredita na compra, se o investidor tiver paciência e olhar para o longo prazo.

Evidentemente que o mercado antecipa as possíveis consequências que a ingerência política pode causar na companhia, como a recente troca de comando. Não é novidade que essas trocas súbitas e atabalhoadas assustam os investidores, que passam a ter menos credibilidade no ativo. Contudo, a estratégia de longo prazo da companhia ainda não foi alterada e os preços do barril do petróleo vêm se recuperando gradualmente, algo que não justifica a perda de 20 % como observamos hoje, se não fosse a confusão gerada com troca de comando. Deste modo, entendemos como uma possibilidade de compra, assim que reduzida a volatilidade no papel e desde que a política de preços não mude, como foi o caso dos subsídios aos combustíveis no período de 2010 à 2014.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.