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É HORA DE ABOLIR AS MÁSCARAS? Paraíba mantém obrigatoriedade e secretário afirma que item será a 'última medida a ser retirada'; OUÇA

É HORA DE ABOLIR AS MÁSCARAS? Paraíba mantém obrigatoriedade e secretário afirma que item será a 'última medida a ser retirada'; OUÇA

O avanço da imunização contra a Covid-19 em todo o Brasil e na Paraíba traz o sentimento e a esperança de um futuro de volta à normalidade, com menos restrições e com a abolição de um item que acompanha milhões de brasileiros há quase dois anos: as máscaras faciais, que segundo as autoridades em saúde, funcionam como uma espécie de barreira para impedir a contaminação pelo novo coronavírus.

O debate se tornou mais presente depois que o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, anunciou a possibilidade de liberar o item em lugares públicos, o que pode acontecer ainda no mês de outubro, mas somente se a cidade atingir a meta de vacinar completamente 65% da população, o que vai permitir o avanço do plano de flexibilização local.

A retirada das máscaras também é um desejo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que já pediu publicamente ao ministro da saúde, o paraibano Marcelo Queiroga, um estudo para avaliar a possibilidade de desobrigar o uso do acessório. O ministro confirmou que aguarda a conclusão desses estudos para emitir um parecer sobre o tema, envolto ainda em muitas discussões e controvérsias.

Na Paraíba, porém, o secretário de saúde estadual é cético quanto à retirada do acessório em curto prazo. Ele aponta para um cenário em que a possível retirada do equipamento pode resultar num aumento significativo de novas contaminações, como aconteceu em outros países do mundo, a exemplo de Estados Unidos, Israel e em países da Europa.

“A atitude de desobrigar o uso de máscaras ainda não tem um horizonte definido no estado da Paraíba. Eu já relatei que será a última atitude de prevenção, pois a utilização dessa barreira mecânica, que impede a entrada do vírus pela boca e pelas narinas, é essencial nesse momento. A maioria das pessoas que se contaminam, ocorre pela via respiratória, então, consequentemente a desobrigação do uso da máscara, só ocorrerá quando tivermos uma taxa de transmissão baixa”, disse.

De acordo com Geraldo Medeiros, a Paraíba mantém a taxa de transmissibilidade do novo coronavírus acima de 1, apesar do avanço da imunização, o que segundo ele inviabiliza a flexibilização. Com a taxa atual, 100 pessoas contaminadas com a Covid-19 contaminam outras 110 pessoas.

“Não há nenhuma condição, nenhuma previsão sobre aconselhamento de desobrigação do uso de máscaras. Os trabalhos e evidências científicas são notórias quanto à importância desse uso e não há nenhuma dúvida mais que as máscaras diminuem o número de contaminados e salvam vidas”, acrescentou.

O entendimento de Geraldo Medeiros é o mesmo do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde), que na semana passada divulgou uma nota pedindo para que os gestores mantenham o uso obrigatório do item. O comunicado assinado por Carlos Lula, presidente do conselho, diz que o momento ainda exige cautela e prudência.

Levando isto em conta, a Prefeitura de São Paulo, que pretendia flexibilizar, mudou de ideia e decidiu manter a obrigatoriedade da utilização de máscaras de proteção facial contra a Covid-19 em locais públicos. A decisão foi confirmada no início da tarde da última quinta (14), em coletiva de imprensa virtual.

O secretário de saúde de João Pessoa, Fábio Rocha, não poupou críticas a quem quer desobrigar o uso de máscaras a partir deste mês, a exemplo da Prefeitura do Rio de Janeiro.

“Não se deve pensar em coisas não sérias. Vem um irresponsável desse do Rio de Janeiro com uma graça. É lamentável numa hora dessas onde a agente tá começando a ter um controle da pandemia graças às vacinas e uso das medidas não farmacológicas. Isso [máscara] é fundamental. Um irresponsável fala uma bobagem dessas”, disse em entrevista recente.

Vacinação

Já para a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), é necessário manter as medidas contra Covid-19 até que 80% da população esteja vacinada. No Brasil, a imunização avança, sendo um dos países que mais aplicam doses no mundo, porém a marca de 80% ainda é uma meta a ser alcançada.

Segundo o Ministério da Saúde, mais de 150 milhões de pessoas tomaram a primeira dose de vacinas contra a Covid e estão parcialmente imunizadas, o que representa 70,63% da população, mas os estão totalmente imunizados, que tomaram a segunda dose ou a dose única de imunizantes, são 101.836.974 pessoas, o que corresponde a 47,47% da população do país.

Para o infectologista Fernando Chagas, é necessário ter prudência e aguardar mais avanços da vacinação. O ideal, segundo ele, é que haja a análise de uma grande região, com grande fluxo de pessoas, com pelo menos 80% da população totalmente imunizada, antes da liberação.

“Para não acontecer o que ocorreu com algumas regiões dos Estados Unidos, quando iniciaram a retirada das máscaras, e até de forma gradual, em ambientes abertos e ventilados, mas mesmo assim o impacto da variante Delta foi muito grande, ao ponto de retrocederem”, disse.

Quando a flexibilização for possível, no entanto, a retirada da máscara deve ser de forma gradual. “Primeiro, nos espaços abertos, e depois nos ambientes fechados quando avançarmos ainda mais e tivermos números de transmissibilidade ainda menores”, ressaltou.

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