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Caso Troadec | França julga homem que matou família por barras de ouro

Caso Troadec | França julga homem que matou família por barras de ouro

Brigas familiares, ambição desenfreada, matança. Essas são palavras ligadas ao caso Troadec, nome da família composta por pai e mãe, ambos de 49 anos, um filho de 20 anos e filha de 18. Os quatro foram mortos há quatro anos pelo companheiro da irmã do pai. Tudo por causa de misteriosas barras de ouro. O processo começa nesta terça-feira (22), em Nantes, oeste da França.

O caso aconteceu em fevereiro de 2017. O primeiro sinal de alarme, conta o jornal Le Parisien foi o desaparecimento inexplicável de toda a família: o pai de família, Pascal, a esposa Brigitte e o casal de filhos.

Testes de DNA levaram as investigações até Hubert Caouissin, companheiro de Lydie Troadec, irmã de Pascal. Ele acabou confessando ter assassinado as quatro pessoas com um pé de cabra, antes de cortar os corpos em pedaços, queimar e espalhar os restos pelo terreno de um sítio isolado da Bretanha, no noroeste da França.

"O quádruplo homicídio familiar intriga tanto a imprensa quanto o grande público", explica o jornal Le Figaro. Um total de 73 jornalistas vão cobrir o julgamento, que vai contar com 18 testemunhas e especialistas, e que deve seguir até o dia 9 de julho. Por causa da pandemia, o processo terá número limitado de pessoas presentes e o uso de máscaras será obrigatório no tribunal de Nantes.

Delírio paranoico

"O crime é o epílogo de uma incontrolável e crescente fúria", diz Le Figaro. Após a morte de Pierre Troadec, seu filho Pascal teria desviado uma suposta herança composta de peças e barras de ouro que o patriarca, que era pedreiro, teria descoberto em uma casa velha. A filha Lydie se sentiu então lesada, apoiada pela mãe.

Não há provas ou vestígios de tal tesouro. O estilo de vida da família de Pierre Troadec, técnico eletricista, era frugal. Mas a obsessão tomou conta do cunhado, técnico soldador, e da irmã. Ela mantinha um caderno com anotações sobre a família do irmão, a respeito de supostos gastos suspeitos. O marido espionava a família e tentava ouvir, com um estetoscópio, conversas no interior da casa. Um dia foi pego em flagrante e acabou matando pai, mãe e filhos.