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Bloqueios pelo Brasil | Caminhoneiros protestam em rodovias de ao menos 16 estados

Bloqueios pelo Brasil | Caminhoneiros protestam em rodovias de ao menos 16 estados

O Ministério da Infraestrutura divulgou novo boletim sobre a situação de bloqueios nas estradas e informou que, às 22h30 de hoje, foram registrados pontos de concentração em rodovias federais em 16 estados, sendo 13 com abordagem a veículos de cargas.

Os bloqueios começaram ontem, durante os atos de caráter golpista do 7 de Setembro convocados pelo presidente (sem partido), e seguiram ao longo desta quarta-feira.

Os estados citados pelo ministério, a partir de informações da PRF (Polícia Rodoviária Federal), são: Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, Espírito Santo, Mato Grosso, Goiás, Bahia, Minas Gerais, Tocantins, Rio de Janeiro, Rondônia. Maranhão, Roraima, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Pará.

Ainda de acordo com a nota divulgada pela pasta do governo federal, apenas uma interdição de pista foi registrada às 22h30, no estado de São Paulo, e a região Sul concentra 55% das ocorrências registradas.

No boletim anterior, divulgado às 20h30, o ministério informou que, ao todo, foram "debeladas" 117 ocorrências com concentração de populares e tentativas de bloqueio total ou parcial de rodovias nas últimas horas.

Segundo a Infraestrutura, os atos não são organizados por qualquer entidade setorial do transporte rodoviário de cargas e a composição das mobilizações é heterogênea, "não se limitando a demandas ligadas à categoria."

De acordo com o jornal "O Estado de S. Paulo", um dos líderes do movimento intitulado de caminhoneiros patriotas, Francisco Burgardt, também conhecido como Chicão Caminhoneiro, informou que entregarria ainda hoje um documento ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), pedindo a destituição de ministros do (Supremo Tribunal Federal).

"O povo brasileiro não aguenta mais esse momento que País está atravessando através da forma impositiva que STF vem se posicionando. O povo brasileiro está aqui [Esplanada dos Ministérios] buscando solução e só vamos sair daqui com solução na mão", disse Chicão, que preside a UBC (União Brasileira dos Caminhoneiros), em vídeo que circula pelas redes sociais. Segundo ele, o documento também será entregue ao presidente Jair Bolsonaro. Em outro vídeo, Burgardt cita o prazo de 24 horas para a resposta das autoridades ao pedido do movimento.

Os bloqueios realizados pelos caminhoneiros já preocupam até mesmo distribuidoras de combustíveis. As empresas temem que faltem produtos como gasolina e óleo diesel nas próximas 12 horas desta quarta-feira, caso os protestos prossigam.

O número de estados com registro de manifestações cresceu ao longo do dia. O primeiro comunicado divulgado pela Pasta citava ocorrências em apenas quatro.

"A disseminação de vídeos e fotos por meio de redes sociais não necessariamente reflete o estado atual da malha rodoviária", destaca a Infraestrutura em nota.

Associação enxerga movimento político

Em nota, a NTC&Logística (Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística) criticou a paralisação e disse que "trata-se de movimento de natureza política e dissociado até mesmo das bandeiras e reivindicações da própria categoria, tanto que não tem o apoio da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos".

"Preocupa a NTC o bloqueio nas rodovias o que poderá causar sérios transtornos à atividade de transporte realizada pelas empresas, com graves consequências para o abastecimento de estabelecimentos de produção e comércio, atingindo diretamente o consumidor final, de produtos de todas as naturezas inclusive os de primeira necessidade da população como alimentos, medicamentos, combustíveis etc", diz trecho do comunicado.

"Esperamos que as autoridades do Governo Federal e dos Governos Estaduais adotem as providências indispensáveis para assegurar às empresas de transporte rodoviário de cargas o pleno exercício do seu direito de ir e vir e de livre circulação nas rodovias em todo o território nacional, como pressuposto indeclinável para o cumprimento da atividade essencial de transporte", prossegue.

Atualmente, a NTC congrega, além das empresas diretamente associadas (cerca de 2.354), mais de 50 entidades patronais (federações, sindicatos e associações especializadas), representando cerca de 15.000 empresas que operam uma frota superior a 1,2 milhões de caminhões e criam mais de 2 milhões de postos de trabalho.

*Com informações da agência Estadão Conteúdo