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Williams apresenta seu carro novo | Ideia era lançar em app de realidade aumentada, mas ele foi hackeado

Não foi do jeito que o time planejou, mas a Williams lançou o carro para a temporada 2021 da Fórmula 1. Na primeira apresentação depois que o time foi comprado pelo grupo de investidores norte-americano Dorilton Capital, o plano era fazer algo inovador na categoria: lançar o carro usando um aplicativo de realidade aumentada, possibilitando que os fãs visualizassem a nova Williams dentro de suas próprias casas. Mas o aplicativo foi hackeado e acabou sendo tirado do ar cerca de uma hora antes do lançamento. Mesmo assim, o time seguiu com o restante da apresentação como planejado, divulgando as imagens do carro com o qual busca sair da lanterna do grid.

O time de George Russell e Nicholas Latifi começa 2021 numa situação muito melhor do que há 12 meses, quando a ex-chefe Claire Williams estava às voltas com um patrocinador principal que sequer queria pagar a conta, a RoKit. A saída da empresa acabou, inclusive, fazendo com que a pintura da apresentação do carro nunca fosse usada numa corrida. Do lado técnico, o time vinha com um déficit tão grande em relação ao restante do pelotão em 2019 que só poderia sonhar em se aproximar, seguindo na lanterna. Foi o que aconteceu, mas a venda ao grupo de investidores em setembro mudou o cenário do time a médio e longo prazos.

''A Williams é um ícone do esporte, e uma equipe que forjou sua reputação de sucesso por meio de muita determinação interligada como inovação e um desejo absoluto por vencer'', disse o CEO da equipe, Jost Capito, que chegou no time no final do ano passado. ''Altos e baixos são típicos na jornada de uma marca esportiva estabelecida ao longo dos anos e o sucesso do passado pode servir como uma fonte de motivação, mas não dá para depender desse sucesso para vencer na era moderna da F1. Por conta disso, criamos uma pintura totalmente nova para 2021, reconhecendo o passado incrível e mantendo o espírito e a motivação que continuam sendo a base do DNA da Williams, ao mesmo tempo em que olhamos para o futuro e assinalamos nossa ambição de voltar para a parte da frente do grid.''

Pelo menos até aqui, os novos donos vêm tomando decisões acertadas e estudadas, como a contratação do experiente Jost Capito, que vem de longa carreira em outras categorias no automobilismo. Além disso, calcula-se que a Dorilton Capital já tenha injetado mais de 350 milhões de reais na Williams, sendo que a maior parte foi para quitar as dívidas, o que era parte do acordo de aquisição. E já chegaram, também, atualizações para a fábrica, que conviveu até mesmo com falhas de fabricação de peças nos últimos anos.

Mesmo assim, ainda falta pelo menos 1s para a Williams chegar no meio do pelotão, o regulamento não muda muito e as rivais mais próximas (Alfa Romeo e Haas) terão, pelo menos em teoria, um ano melhor com a atualização da unidade de potência da Ferrari, então faz sentido para a Williams colocar suas fichas em 2022, quando a F1 terá uma mudança extensa de regras.

Até porque há de existir uma vantagem em amargar a lanterna: a Williams é quem tem mais tempo de túnel de vento à disposição com a nova regra de escalonamento de desenvolvimento aerodinâmico que estreia nesta temporada - eles têm 112.5% do tempo total, enquanto a Mercedes, por exemplo, tem 90%. Não é algo que vai fazer uma diferença enorme logo de cara, mas pode ir ajudando a Williams a encostar aos poucos.

Está claro, portanto, que o foco tem de ser no carro de 2022, porque é quando as regras mudam que é possível dar saltos mais significativos. Essa necessidade clara de focar, o quanto antes, na próxima temporada é ruim para George Russell, que está no último ano de seu contrato com a Williams, não só porque as chances de pontuar continuarão raras, mas porque será mais um ano em que os pilotos da sua geração terão companheiros que os forçam e os fazem aumentar seu leque de habilidades (de Norris com Ricciardo na McLaren a Verstappen com Perez na Red Bull, em menor medida, passando por Sainz e Leclerc forçando um ao outro na Ferrari), enquanto ele tem Latifi: um piloto que traz investimento importante para a equipe, mas que é mais de meio segundo em média mais lento que Russell em classificação.

Ainda mais tendo tido uma chance de entender qual o nível de trabalho em um time grande, quando substituiu Lewis Hamilton no GP de Sakhir, Russell tem tudo para viver um ano mentalmente desafiador. Russell viverá quase duas realidades paralelas: de um lado estará numa equipe que vai celebrar, como em 2020, todas as vezes que ele conseguir passar a primeira fase da classificação, quando os cincos carros mais lentos são eliminados, e que terá como objetivo máximo pontuar. De outro, vai conviver com as especulações recorrentes de que pode ter uma vaga no melhor time do grid em 2022, uma vez que sua carreira é cuidada pela Mercedes e ele é tido como um forte candidato a correr no time no ano que vem.

No contexto atual da Williams, será mais um esperando ansiosamente por 2022.

A Williams foi o oitavo carro lançado para a temporada 2021 (uma vez que a Haas só mostrou sua pintura deste ano até agora). O último lançamento será o da Ferrari, na quarta-feira, dia 10 de março. A pré-temporada começa logo depois, dia 12 de março. E a primeira corrida será dia 28. Os testes e a etapa que inaugura a temporada serão realizados no Bahrein.