Esportes

Vaivém Olímpico: em Tóquio, tecnologia fica entre o breque e o acelerador

Os japoneses não precisam de Olimpíadas para deslumbrar o mundo com suas inovações tecnológicas. Não fosse a pandemia e os milhares de turistas com certeza estariam ainda mais deslumbrados, interagindo direto com robôs simpáticos como a mascote Miraitowa, capaz de mostrar expressões faciais, curvar-se e acenar. Ou com os operacionais Pepper, da Softbank, desenvolvido para receber visitantes em lojas, estações e locais turísticos, traduzindo informações "verbalmente" ou por um I-pad acoplado a seu "peito", com textos maiores e imagens.

Outro robô, o EMIEW3, foi pensado para orientar turistas fisicamente, nas ruas de Tóquio e locais de competição. A "cria" da Haneda Robotics Lab foi desenvolvida para servir como guia poliglota em aeroportos, mas também como segurança, escaneando objetos suspeitos. Outra ideia era ter robôs ajudando cadeirantes nas arenas. Todos com certeza terão "mais folga" do que o planejado para eles.

Mas, pelo menos no atletismo, espera-se que a Toyota mantenha seus operacionais, valendo-se da análise de imagens de câmeras e sensores pela Inteligência Artificial, para correr atrás de martelos e dardos lançados ou entregar equipamentos a atletas.

O mundo maravilhoso das mensagens

Há pouco mais de três décadas, em Los Angeles-1984, os jornalistas descobriam a maravilha de informações acessíveis em teclas de computador: perfis de atletas, regulamentos esportivos, resultados - e principalmente avisos de quem estava indo para medalha, para "correrias" mais dirigidas. Deixava-se a papelada e os pesados guias nos lockers.

Melhor ainda: mensagens podiam ser trocadas entre os repórteres, assim que se chegava ao centro de imprensa de cada local de competição. Que vontade de levar um daqueles computadores para casa! (Mas não. Ainda haveria muito tempo de pesquisa em pastas de arquivo.)

Um jeitinho dos brasileiros para "passar matéria" mais rápido no imenso "Iceberg" (o gelado Centro Principal de Imprensa, o Main Press Center ou MPC na sigla em ingIês) contaminou jornalistas de vários outros países. Sentava-se direto no telex (espécie de máquina de escrever que transmitia os textos para os respectivos jornais), em vez de esperar a "chefia" distribuir laudas a digitadoras... norte-americanas, claro. Que não entendiam nada de textos em português, grego, iugoslavo...Letras eram trocadas, parágrafos inteiros pulados ou trocados, envios de reportagens espanholas iam parar na Inglaterra...

Aglomerações de furiosos, gritarias... Claro que a "chefia" aprovou a ideia dos brasileiros enviarem por nós mesmos. E assim foram chegando os outros. Só para lembrar: alguém descobriu que se podia fazer ligação internacional gratuita, de orelhão, com determinado número de código. Pedestre norte-americano nenhum entendia as imensas filas de brasileiros com papeizinhos nas mãos, de turistas a jornalistas e atletas, também reclamando alto da demora de quem estava na frente e queria esticar conversa.

Calos nos ombros

Quatro anos depois já havia a pesada "marmita", talvez avó ou bisavó dos notebooks, que pelo menos era portátil e enviava textos. Mas em Seul-1988 ainda era equipamento de privilegiados. A maioria enviava matérias por fax, mesmo. De novo: entregava-se um pacote de laudas dobradas, que eram colocadas em uma prateleira com nomes dos respectivos países... para os voluntários enviarem. Adivinharam, não é? E de novo reportagens de italianos iam para a Alemanha, do Japão iam parar na Argentina... Ou: simplesmente "não, não chegou nada", quando se pensava que o material já havia sido impresso no Brasil, na véspera...

Pulo Atlanta-1996, tamanha foi a bagunça - com tudo, mas no caso com computadores, que só esquecendo mesmo. Para se ter ideia, com os Jogos correndo a mil, a agência Reuters manteve anotadores com papel e caneta na natação, para enviar esses resultados escritos a mão, por motociclistas, até o MPC.

Computadores portáteis foram oferecidos aos jornalistas em Barcelona-1992, por um dos patrocinadores. Era preciso fazer chamada por telefone para enviar matérias. Claaaaaro que as linhas da Espanha ficaram congestionadas e ninguém conseguia fazer ligação nenhuma. E claro que, mais uma vez, apareceu um brasileiro com a solução: e passamos a fazer ligações pela Alemanha.

Esses "portáteis" tinham alças para as mãos e também maiores, para se carregar nos ombros. Com 15 dias de trabalho, estava com calos nas duas mãos e nos dois ombros.

E paro por aqui para agradecer muito, muito mesmo, aos deuses internáuticos (japoneses, norte-americanos, quem seja) pelos notes ultraportáteis e celulares de hoje.