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Símbolo de retomada do Juventude olha o passado e sonha alto no Gauchão

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Do topo quase ao fim. Do grande cenário à necessidade de recomeço. E, enfim, uma nova chance de brilhar. Tais frases poderiam definir o passado recente do Juventude, mas também servem para ilustrar a carreira do goleiro Marcelo Carné. Hoje aos 31 anos ele pode muito bem ser definido como símbolo da retomada alviverde, e de olho no passado tem sonhos grandes no Estadual.

Hoje (8), o Juventude visita o Inter e defende vantagem na semifinal do Gauchão. Venceu o jogo de ida, em Bento Gonçalves, por 1 a 0 e avança com qualquer vitória ou empate para decisão.

O clube da serra gaúcha conhece bem o que é brilhar na casa do Colorado. Em 1998 conquistou o Estadual no reduto vermelho. Em 1999 fez 4 a 0 e eliminou o time da capital na semifinal da Copa do Brasil, que acabou conquistando.

"Acredito que, aos poucos, o Ju pode voltar a brigar com os grandes da capital em algo próximo de uma igualdade de condições. O Inter tem um time muito qualificado e uma base de alguns anos, teremos que ser, mais uma vez, cirúrgicos, seguirmos à risca a estratégia do Marquinhos, como foi no primeiro jogo, e minimizar ao máximo os erros pra sairmos com a classificação", disse o goleiro em entrevista exclusiva ao UOL Esporte.

A temporada significa muito para o Juventude. De volta à Série A depois de 14 anos, o clube sonha em repetir os feitos de outros tempos.

"Eu acredito que o Juventude está pronto pra cumprir o seu papel. O mundo hoje e completamente diferente de quando o Ju estava na série A, e vamos competir contra times melhor estruturados e com orçamentos multimilionários. Nosso objetivo é a permanência na Série A, e o clube está preparado pra conseguir esse objetivo", completou.

Marcelo Carné, goleiro do Juventude, enfrenta o Inter neste sábado - Fernando Alves/Juventude - Fernando Alves/Juventude
Imagem: Fernando Alves/Juventude

Histórias que se confundem

A história de Marcelo Carné e o passado recente do Juventude se confundem. O goleiro começou no topo, fez base no Flamengo e era presente em convocações para seleção brasileira de base. Esteve, por exemplo, no Mundial Sub-17 de 2007.

"O único sentimento que tenho sobre o Flamengo é de gratidão. Fui formado como atleta e cidadão no clube e o resto ficou pra trás", contou.

Mas depois que deixou o clube carioca a realidade foi outra. Carné esteve em clubes menores como Boavista, Duque de Caxias, Tombense e Brasília. Chegou a trabalhar como motorista de aplicativo durante um período sem clube. Depois veio América de Teófilo Otoni, Audax Rio e Bonsucesso até o Juventude, que defende desde 2019.

"Foi um processo de amadurecimento. Quem vive do futebol sabe como a estrada e difícil e todas as experiências que passei me fizeram estar pronto pra esse momento", contou.

E no clube da serra gaúcha ele se encontrou. Um dos principais jogadores do elenco, defendeu o time nos acessos da Série C para B, e da B para A. Recentemente completou 100 jogos defendendo a meta alviverde.

"É um momento mágico. Desde que cheguei ao Ju, me sentia totalmente preparado pra marcar meu nome na história desse grande clube, com toda humildade. É o melhor momento da minha carreira e estou extremamente motivado pra seguir dando a minha contribuição pros objetivos do clube", vibrou.

E onde as histórias se cruzam? A exemplo de Carné, o Ju viveu o ápice com título da Copa do Brasil de 1999, calando mais de 100 mil pessoas no Maracanã contra o Botafogo. Mas em seguida começou a claudicar. Caiu em 2007 para Série B, mais tarde para C, esteve até na Série D, mas se recuperou e voltou para elite. O Ju regressa para Série A, Carné jogará a competição pela primeira vez na carreira.

"Eu afirmo desde sempre que é a grande chance da minha vida e encaro cada dia com essa mentalidade. Eu tenho um amor grande pelo clube me abrir as portas pra fazer o meu trabalho e me sinto feliz demais de representar essa instituição", finalizou.

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