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Reportagem: Tales Torraga - Provável adeus de Gallardo desata 'noite da loucura' hoje em Buenos Aires

Acostumada a viver o futebol como se fosse um filme ou uma peça de teatro, a Argentina caprichou no enredo da noite deste domingo (5). Aquele que o país considera como o maior caso de amor de um técnico com uma torcida está prestes a acabar, e "tudo o que termina, termina mal", parafraseando a música "Crimenes perfectos", do roqueiro Andrés Calamaro, que além de tudo é um admirador confesso de Marcelo Gallardo, o personagem de peso em questão.

O River recebe às 21h30 (de Brasília), no Monumental de Núñez explodindo de gente, o Defensa y Justicia naquele que deve ser o último jogo de Gallardo na equipe em Buenos Aires. O Fox Sports mostra ao vivo para o Brasil.

É esperado um anúncio sobre o futuro de Gallardo logo depois da partida — e tal entrevista coletiva, não é exagero reforçar, deve ser transmitida pelas TVs e rádios argentinas em um esquema praticamente de cadeira nacional.

Gallardo é técnico do River há sete anos e meio, período em que reescreveu a história do clube com 13 títulos, incluindo o maior de todos, a Libertadores de 2018 em cima do Boca Juniors. Farejando o caráter sentimental da ocasião, as TVs de Buenos Aires percorreram as ruas durante toda semana ouvindo a torcida do River sobre os laços afetivos com Gallardo, e as opiniões giram em torno de uma ideia bem definida: ninguém sabe como o clube e seus fanáticos vão viver sem ele, caso a despedida se concretize neste fim de semana.

"Não quero ficar tão louco"

Outra música que ilustra a relação de Gallardo com a torcida do River é "Yo no quiero volverme tan loco", um dos maiores sucessos de Charly García, o papa do rock argentino. Revelado como jogador no próprio clube, Marcelo já demonstrou muitas vezes que o River é capaz de levá-lo às lágrimas, como numa simples visita à escola onde estudou. Preencheram os vídeos também as cenas do seu choro na Sul-Americana de 2014, conquistada logo depois da morte da sua mãe, entre outros momentos emocionantes no comando do clube.
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Técnico do River Plate, Marcelo Gallardo chora em entrevista na Argentina
Imagem: Reprodução TV

Todos querem saber qual será a sua reação no comando da equipe neste domingo em data tão emblemática. As transmissões de TVs dos jogos do River já designam uma câmera especial apenas para registrar as suas expressões, e espera-se que a partida tenha ainda mais conteúdo para esmiuçar o final desta história que tanto deu o que falar.

O Campeonato Argentino, vale lembrar, já foi conquistado pelo River, que agora pisa no Monumental pela última vez no ano, realizando ainda mais duas partidas, em Tucumán contra o Atlético no domingo que vem (12), e a decisão do Troféu dos Campeões contra o Colon de Santa Fé em Santiago del Estero no sábado seguinte, dia 18.

É esperada uma grande recepção da torcida ao técnico, incluindo os cartazes e os mosaicos de praxe, além de uma homenagem ao volante Leonardo Ponzio, capitão histórico da equipe que receberá uma ovação especial no minuto 23, o de sua camisa. Também será o adeus à torcida do River no Monumental de Núñez.

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Marcelo Gallardo, técnico do River Plate, comemora com jogadores do elenco a conquista da Libertadores da América de 2018
Imagem: Cezaro de Luca/Getty Images

O Defensa y Justicia é o terceiro no campeonato. Comando pelo cabeludo Sebastián Becaccece, a equipe ganhou quatro das últimas cinco partidas e já demonstrou no passado que pode complicar o River no Monumental. Quando o técnico era Hernán Crespo, por exemplo, um empate contra o River acabou permitindo a virada do Boca Juniors no título selado com uma vitória sobre o Gimnasia y Esgrima de Diego Maradona na Bombonera em março de 2020.