Esportes

Futebol equatoriano evolui, mas segue com poucos jogadores no Brasil

Classificação e Jogos

O futebol equatoriano volta a ganhar holofote no Brasil impulsionado pelo confronto das semifinais da Copa Libertadores da América entre Flamengo e Barcelona de Guayaquil (EQU), que se enfrentam na partida de ida hoje (22), às 21h30, no Maracanã. O duelo entre brasileiros e equatorianos coloca frente a frente duas equipes diferentes, principalmente do ponto de vista do investimento.

O crescimento das equipes do Equador no cenário sul-americano se mostra com suas seleções — principal e de base — e os clubes, que têm aparecido com maior frequência em fases decisivas de torneios importantes. Além do semifinalista Barcelona (EQU) na Libertadores 2021, no ano passado aconteceu até então um feito inédito: três clubes do país chegaram às oitavas de final, com LDU, Independiente Del Valle e o novato Delfin. E a seleção principal está na 4ª colocação nas Eliminatórias para a Copa de 2022, no Qatar.

Apesar do crescimento dentro e fora de campo, exportando mais para o exterior, o futebol equatoriano ainda tem poucos atletas atuando em solo brasileiro. Mesmo com evolução nesse quesito na última década.

Para se ter um exemplo, em 2013 apenas um equatoriano disputava a Série A do Campeonato Brasileiro. Esse número saltou para quatro em 2016, dez em 2017, seis em 2018 e 2020, e na atual temporada, são cinco atletas de nacionalidade equatoriana jogando na elite nacional: Joao Rojas e Robert Arboleda [São Paulo], Juan Cazares [ex-Atlético-MG, Corinthians, e hoje no Fluminense], Leonardo Realpe [Red Bull Bragantino] e Alan Franco [Atlético-MG].

"O futebol sul-americano evoluiu como um todo, e com o equatoriano não foi diferente. Há 10 ou 15 anos, os olhos estavam voltados mais para o mercado argentino e uruguaio, mas esse cenário foi mudando à medida que os clubes também foram buscando novas formas de reestruturação e profissionalização. O jogador equatoriano sempre foi muito forte fisicamente, e com o próprio crescimento do país nas divisões inferiores, também viu evoluir essas valências nas questões técnicas. Hoje, os principais centros do futebol já enxergam essa evolução", afirma Júnior Chávare, gerente de futebol do Bahia, em entrevista ao UOL Esporte.

O futebol equatoriano nos últimos anos tem se mostrado um forte exportador de talentos, com atletas em ligas internacionais, o que não era comum antigamente. Reunindo todas as divisões de base equatorianas, são aproximadamente 22 atletas atuando nas mais diversas competições pelo mundo.

Em números gerais o país com mais atletas equatorianos é o Uruguai, 14 no total. Os Estados Unidos vêm a seguir, com 9. Na Europa, reunindo as principais ligas do mundo, como Espanha, Itália, Portugal e Alemanha, são oito no total.

"É um país que vem se organizando e se profissionalizando na medida em que vários investidores locais e externos investem nos clubes. O resultado já é a formação de atletas para seleções de base, a exportação desses jogadores para outras ligas, tanto sul-americanas quanto também europeias. Essa maior representatividade no cenário internacional mostra que o futebol equatoriano está no caminho certo", alerta o executivo de futebol Marcelo Segurado, com passagens por Ceará e Goiás.

Bom desempenho na base

Outro dado que chama atenção é desempenho das seleções de base do Equador: em 2019, o time sub-20 terminou a Copa do Mundo na 3ª posição e foi campeão sul-americano no mesmo ano - já havia ficado em terceiro em 2017, além de terminar o Mundial da categoria, na Polônia, em terceiro lugar. Já o time sub-17 chegou às oitavas de final da Copa do Mundo, enquanto ficou em 4º no sul-americano no sul-americano.

"O Equador também cresceu tecnicamente, visto que muitos clubes de ponta têm buscado por lá atletas cada vez mais jovens, de 16, 17 anos, com potencial de crescimento e revenda. Se continuar com essa tendência, é natural que o país esteja sempre chegando nas principais competições, sejam elas de base ou principal, como foi o caso das últimas edições da Copa Libertadores", completa Chávare.

"A formação do perfil de atleta no Equador e também Colômbia são muitos interessantes. Virou um celeiro de formação de atletas com esse perfil de profissional moderno, que tem força, intensidade, inteligência tática. E esse tipo de característica é interessante. É um perfil que o futebol moderno necessita", complementa Marcelo Segurado, executivo de futebol com passagens por Ceará e Goiás.

Motivo do crescimento

O gerente executivo das categorias de base do Internacional, o argentino Gustavo Grossi — ex-River Plate —, afirma que o salto dado pelo futebol equatoriano é fruto de um planejamento desde as categorias inferiores para que bons frutos pudessem ser colhidos no profissional.

"Como a Liga do Equador tem alguns times que não tem possibilidade econômica de competir com grandes potências, a estratégia da Federação Equatoriana de Futebol foi similar a do Uruguai: construir um processo de seleções juvenis com seleções de base, com um investimento interessante e importante, onde, a partir do ano de 2010, começou a profissionalizar e a trabalhar em alto rendimento com os melhores atletas do Equador. Ou seja, foi a Seleção Equatoriana de futebol de base que começou desenvolvendo este salto de qualidade profissional, iniciando pela base e se consolidando na seleção principal.", analisou em entrevista ao UOL Esporte.

"É um processo que já vem há 20 anos, que ainda está em processo de execução. Não está finalizado, e de médio a longo prazo, mas que já se nota uma mudança importante no que tem a ver com a profissionalização dos clubes maiores, o desenvolvimento de talentos jovens do Independiente Del Valle e um projeto de seleções nacionais que começou bem abaixo, desde a categoria sub-15, na base e se estendendo para os jovens talentos equatorianos que já chegaram até na seleção principal nessas Eliminatórias", complementou.