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Reportagem: Mauro Cezar Pereira - Maracanã para por 3 meses por um novo gramado. Engenhão também terá reforma

O gramado do Estádio Nilton Santos, o Engenhão, era frequentemente criticado durante a Copa América, que à última hora veio para o Brasil em meados do ano. Já o do Maracanã, constantemente é alvo de reclamações. Não por acaso ambos passarão por reforma na virada de 2021 para 2022, a do maior palco do futebol carioca mais profunda, drástica, demorada e cercada de expectativa. Será que finalmente terá um bom piso para o futebol?

No Engenhão será feito um corte vertical, seguido da aeração feita com a máquina holandesa chamada Vert Drain (vídeo acima). Ela possui pinos ocos que retiram milhares de "charutos" de argila do solo. Paralelo a esse procedimento, a empresa que cuida do gramado do campo do Botafogo colocará 60 metros cúbicos de areia para que penetre nesses "poros", melhorando a drenagem, o micronivelamento e a maciez do piso. Todo o processo deverá levar cerca de 25 dias.

No Maracanã a reforma será mais pesada. Tudo será retirado até 15 centímetros de profundidade, com a troca de toda a base do solo superficial, colocação de areia e nivelamento a laser. Depois será plantada a grama em Sprigs, que são mudas específicas, para que o gramado se desenvolva ali mesmo. Ou seja, ao invés de trazer "tapetes" de grama plantada em outros locais, o gramado do estádio vai nascer nele mesmo, no local das partidas que posteriormente serão disputadas.

Estádios de clubes europeus utilizam o mesmo sistema com grama natural e artificial - Reprodução - Reprodução
Estádios europeus têm piso natural com artificial
Imagem: Reprodução

Após essa parte, será aguardado o desenvolvimento da grama e cerca de 60 dias após o plantio o corte será reduzido e entrarão as fibras híbridas, sintéticas, artificiais, que serão entre 8% e 12% do piso. A empresa escolhida pela Greenleaf, responsável pela manutenção e reforma do campo, foi a Grassmax. Ela está colocando em prática exatamente o mesmo sistema no estádio de Lusail no Qatar, palco da final do Mundial de futebol em 2022. Ela também realizou tal processo em campos da Copa do Mundo de 2018, na Rússia, e nos estádios de PSG, West Ham, Athletic Bilbao e Real Madrid, entre outros.

Mas a pergunta obrigatória é: por que essa grama deve funcionar no Maracanã, mesmo sem sol em partes do campo e com muitos jogos? O que ela tem de diferente? A espécie da grama (natural) é a mesma, mas além do reforço com o híbrido, muda a forma de plantio, com enraizamento que supera os 20 centímetros de profundidade, enquanto com os tapetas desenvolvidos fora e colocados no estádio chega a, no máximo, 12 centímetros.

Gramado híbrido será instalado no Maracanã, com até 12% de fibras sintéticas, artificiais - Reprodução - Reprodução
Gramado híbrido: até 12% de fibras artificiais
Imagem: Reprodução

Assim, o Maracanã terá grama 100% natural do tipo bermuda celebration, reforçada por fibras de polietileno injetadas a 18 centímetros de profundidade e dois centímetros sobre a superfície. É feita uma "costura" entre os fios sintéticos e a grama natural por meio de um equipamento especial. O investimento, custeado pelo Maracanã, será de R$ 4 milhões.

Referência, o gramado tipo Ryegrass do estádio do Corinthians tem diferencial: a serpentina que o percorre e reduz a temperatura e 13 graus. O clima quente inviabiliza tal método no Rio de Janeiro. Além disso a Neo Química Arena teve cerca de um terço dos jogos que o Maracanã recebeu no ano.

Com a reforma, o palco da final da Copa do Mundo de 2014 deverá contar, finalmente, com um gramado compatível em 2022, suportando a grande quantidade de partidas nele disputadas. No entanto, há a expectativa de que no inverno ele fique em aproximadamente 80% do ideal.

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