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Que várzea: quarta divisão do RJ tem clubes expulsos, atrasos e grana curta

A Série C do futebol carioca é muito importante para revelar e dar emprego a jogadores com pouco espaço no mercado. Mas a disputa, que equivale à quarta divisão estadual, encara problemas graves em seus bastidores.

Ao fim da quarta rodada do campeonato que começou em 30 de maio, o saldo é de três clubes excluídos, erros na organização e falta de grana.

Clubes expulsos

A competição contaria com 17 clubes, que jogariam entre si, e os quatro melhores se classificariam para as semifinais. No entanto, três deles sequer conseguiram inscrever o mínimo de 15 jogadores, como determina o regulamento da Ferj (Federação de Futebol do Rio de Janeiro, e foram excluídos da competição.

Segundo apuração do UOL Esporte, a falta de investidores foi o principal motivo para que os projetos de Canto do Rio e Brasileirinho não fossem colocados em prática. O terceiro excluído foi o EC Resende, que desistiu de inscrever seus atletas após a morte do presidente Ricardo Ferreira, vítima da covid.

Problemas na organização

Apesar de ser um campeonato de quarta divisão estadual, a Série C tem regras importantes e que precisam ser seguidas à risca. Por exemplo, o duelo entre Itaboraí e Búzios, na segunda rodada, realizada no estádio Nova Cidade, em Nilópolis, teve atraso de nove minutos porque o médico da equipe mandante não chegou a tempo.

Já a partida entre Belford Roxo x Independente, válida pela quarta rodada, sequer foi iniciada devido à ausência de um dos enfermeiros da ambulância - responsabilidade do mandante. A arbitragem esperou 30 minutos (15 previsto no regulamento e mais 15 por bom senso) antes de decidir pela vitória dos visitantes por 3 a 0, como prevê o artigo 20 do regulamento:

"A falta de ambulância no padrão exigido pelo Estatuto do Torcedor, ou a falta de médico do clube mandante para atender os atletas durante a partida, ou a falta de serviço de atendimento ao torcedor (SAT) no estádio, ensejará a não realização da partida, sendo a equipe detentora do mando de campo, automaticamente, declarada perdedora pelo escore de 3 x 0, após decisão do TJD (mesmo em partidas realizadas com portões fechado)."

(Nos comentários da postagem abaixo vários torcedores do Belford Roxo reclamaram do W.O. sofrido pela equipe).

Grana curta

A maioria dos problemas ocorridos na Série C tem uma explicação simples: falta de dinheiro. Os modestos clubes se viram como podem para pagar salários dos atletas e da comissão técnica. Como mandante, eles assumem os custos da realização de cada partida - em média R$ 2,5 mil (taxa de arbitragem, delegado da partida e testes de covid).

Geralmente essa quantia é paga no dia do jogo, mas isso não é regra. Segundo o regulamento os clubes têm até às 14h (horário de Brasília) do segundo dia útil após a realização da partida para efetuar os pagamentos.

Em quatro partidas, os árbitros relataram na súmula que a taxa reservada ao trio do apito não havia sido quitada no dia do jogo: Barcelona x Itaboraí, Barcelona x Bela Vista, Uni-Souza x Atlético Carioca e Independente x Bela Vista. Segundo a Ferj, os valores já foram quitados e, até a quarta rodada, não havia qualquer tipo de dívida.

Sumula de jogo da Série C do Rio - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Curiosidades

A Série C ainda conta com algumas curiosidades. O goleiro Bruno, que defendeu o Flamengo e cumpriu pena por envolvimento na morte de Eliza Samúdio, voltou aos gramados e defende as cores do Atlético Carioca. O jogador tem atuado regularmente e, inclusive, marcou um gol.

Um estreante também tem chamado a atenção: Império Serrano. Tradicional escola de samba do Rio de Janeiro decidiu entrar no futebol e criou seu time. O clube é uma das três equipes com 100% de aproveitamento e soma 12 pontos após quatro partidas - Paduano e independente estão com 15 pontos em cinco jogos.