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Opinião: Tales Torraga - Para Inter, liderança do River na Argentina é das melhores notícias do ano

O técnico Marcelo Gallardo está prestes a conquistar o seu primeiro título argentino como técnico. E a liderança do River Plate no torneio local é vista no país como o trabalho mais artesanal de todos os executados pelo treinador.

O River teve confronto direto pelo título contra o Talleres na semana passada - fora de casa, em Córdoba - e venceu por 2 a 0, mesmo com jogador a menos desde os 8 minutos. Mostrando que decisões não são só para veteranos, Gallardo pôs entre os titulares nada menos que seis "pratas da casa", que deram conta de uma parada bravíssima: os zagueiros Felipe Peña Biafore (20 anos) e Héctor David Martínez (23), os volantes Enzo Fernández (20) e Santiago Simón (19) e os meia-atacantes Benjamín Rollheiser (21) e Julián Alvarez (21).

É a coroação de um projeto esportivo de longo prazo que dá resultados justamente na conquista que falta a Gallardo no comando deste River que volta a campo hoje (25), ante o Argentinos Juniors, no Monumental, às 19h (de Brasília).

A base do River é vista mundo afora como a melhor da América e uma das mais ricas de todo o planeta. E o mérito de Gallardo está em formar um elenco profissional que permite a chegada das "jóias" ao lado de medalhões importantes como titulares ou reservas, como os goleiros Armani e Lux, os zagueiros Pinola e Maidana e os volantes Ponzio e Enzo Pérez.

River ganha, Inter comemora

O modelo de sucesso do River é uma das grandes notícias do ano para o Internacional. Em março, sob nova gestão esportiva, o Colorado reformulou sua base e contratou o argentino Gustavo Grossi - justamente o profissional à frente das fornidas "canteras" do River que agora explodem suas sementes.

De acordo com ele, o projeto do Inter é de "médio a longo prazo, de no mínimo três anos" (é agora, no sétimo de Gallardo, que o River escala sua maioria de pratas de casa). O primeiro, neste 2021, é voltado às reformas e à profissionalização da base, sem deixar de lado a captação de talentos.

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Gustavo Grossi, novo gerente executivo das categorias de base do Inter
Imagem: Jota Finkler/Inter

"São muitas diferenças entre os atletas brasileiros e argentinos. As genéticas são bem diferentes e variadas entre si. Outra coisa que difere bastante é que a iniciação de alguns atletas brasileiros ocorre no futsal. O Brasil tem um perfil próprio, é um continente que se move ao redor de si", disse Gustavo, à coluna.

E como o Inter pretende aproveitar este fluxo? "Estamos trabalhando para ser o clube que trabalha melhor no Rio Grande do Sul na captação e na organização, também marcando presença em Santa Catarina, no Paraná, no Rio, em Brasília, São Paulo e até em Salvador. Em três anos, queremos estar entre os cinco melhores do país. Depois, entre os três melhores. E se estamos entre os três melhores do Brasil, estamos entre os melhores do mundo", explica.

"O projeto institucional prevê prioridade não só de investimento, mas também para permitir a entrada dos atletas no time principal, sem pular etapas", finaliza, dando a entender que o foco é a qualidade, mais que a quantidade.

O "celeiro de ases"

A estrutura, claro, tem de acompanhar esta ambição colorada. Parar isso, o time reabriu no mês passado o CT Alvorada, o "celeiro de ases". Gramados foram reformados, e espaços para atividades específicas acabaram sendo criados justamente para manter a engrenagem funcionando bem.

"Nossa motivação é profissionalizar a paixão pelo Internacional, e a nova infraestrutura permite maior qualidade na formação", afirma Gustavo.

Provando o caráter multidisciplinar do futebol atual, o clube informa que há novas salas de "assistência social, nutrição, psicologia, pedagogia e TI, lazer, estudos e espaço exclusivo para os supervisores de cada categoria".