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Opinião: Milly Lacombe - Milly: Pelo que luta Novak Djokovic?

E lá vamos nós de novo para mais um capítulo da novela australiana "A Irritante Teimosia de Novak Djokovic".

O tenista sérvio e atual número um do mundo tem chamado para si quase todo o noticiário que envolve o Aberto da Austrália, o primeiro Grand Slam da temporada. Depois de ser detido na imigração por não ter completado o ciclo de vacinação contra Covid, de recorrer judicialmente, de ser liberado e de ter tido outra vez o visto cancelado pelo governo australiano, parece que a defesa do tenista vai entrar com novo recurso nesse sábado, 15 de janeiro, para que ele jogue o torneio.

Se o recurso for aceito, Djokovic deverá ser o único participante a não estar vacinado contra o vírus que há mais de dois anos causa tanto sofrimento e medo no mundo. É um recado claro a respeito de quem é Djokovic: um homem individualista, egocentrado, mimado e infantilizado.

Em entrevista para o portal do britânico Independent, a ex-tenista Martina Navratilova disse: ok, ele não quer se vacinar, mas pelo time, pela comunidade, pelo bem de todos e pelo fim dessa pandemia ele devia engolir sua vontade, voltar para casa e se vacinar. Nas palavras dela: "Novak, suck it up and go home"

Só que, ao que tudo indica, o tenista seguirá lutando pelo que acredita ser o "direito" de não tomar a vacina. Um direito que de direito não tem nada. Não existe o "direito" de contaminar outras pessoas. Não existe o "direito" de colocar seu corpo em circulação sem ter tomado as devidas precauções para não adoecer outros. Não existe a "liberdade" de não se vacinar; o que existe é a liberdade de ser um agente da cura e da superação dessa pandemia que afeta o mundo inteiro há dois anos e que pesa de forma mais cruel sobre vulneráveis - e falo aqui de pessoas e de países.

Pelo que luta Djokovic então? Pela teimosia de ser "diferente"? Pelo direito de espalhar ignorância e desinformação? Pela farra macabra de colocar outros em risco? Pela estupidez de não se proteger e de não colaborar com a erradicação da Covid no mundo?

Vacinação é pacto coletivo: ou todos fazemos e nos imunizamos, ou o vírus seguirá seu destino que é o de se transformar e se transformar e se transformar de corpo em corpo enquanto a gente segue nessa corrida maluca para tentar interromper as mutações.

A história das vacinas no mundo é uma história de sucesso e de conquistas. Graças a elas tantas doenças que antes matavam puderam ser erradicadas. Só mesmo uma época que resgata a ideia de que a Terra é plana poderia trazer à tona a figura do negacionista da vacina.

Novak Djokovic é um gênio da quadra e um completo cretino na vida. A menos que ele reveja suas posições é assim que entrará para a história.