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Olhar Olímpico - Pesquisa indica aumento de ansiedade e depressão em atletas na pandemia

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Stanford junto a atletas de alto rendimento norte-americanos apontou um aumento expressivo na incidência de sintomas de ansiedade e depressão durante a pandemia do coronavírus. Realizado em parceria com a plataforma Strava, o estudo denominado "O Impacto da COVID-19 em atletas profissionais" foi lançado hoje (20).

"As descobertas desse estudo ajudarão a guiar nossa abordagem para maximizar a saúde dos atletas de elite em todo país durante esse período sem precedentes. Embora esteja incrivelmente impressionado com a coragem desses profissionais, agora temos claras evidências do dano que isso está causando em sua saúde mental. O estresse descontrolado pode diminuir a resposta imunológica do corpo, bem como prejudicar a capacidade de recuperação completa dos exercícios intensos. Precisamos fornecer recursos adicionais para ajudar os atletas a enfrentar esses desafios", comentou o professor de Stanford e médico de medicina esportiva, Dr. Michael Fredericson, um dos autores do estudo.

Foram entrevistados 131 atleta, principalmente corredores, ciclistas e triatletas. Os dados pré-Covid compreendem o período entre 1º de janeiro e 14 de março deste ano. Os dados da pandemia compreendem de 15 de março a 20 de agosto. Antes das restrições impostas pela pandemia, 3,9% dos atletas disseram se sentir para baixo mais da metade dos dias da semana. Esse número sobe para 22,5% durante a pandemia. Um aumento de 5,8 vezes.

Variação semelhante foi observada no questionamento sobre ansiedade. Antes da pandemia, 4,7% dos atletas disseram se sentir nervoso/ansioso mais da metade dos dias da semana. Esse número subiu para 27,9% durante a pandemia, representando um aumento de 5,9 vezes.

"O estudo trouxe a clareza de que a Covid-19 teve amplas implicações na comunidade atlética, particularmente quando se trata de saúde mental", explicou a Dra. Megan Roche, pesquisadora clínica e candidata a doutoranda em epidemiologia na Universidade de Stanford.