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Notícia: Tales Torraga - Por que Hernán Crespo vestiu terno preto mesmo no calor da tarde de Limeira

Os termômetros marcavam cerca de 30 graus em Limeira quando o São Paulo pisou no gramado do Estádio Major Levy Sobrinho pouco antes das 17 horas de ontem (3). Enquanto o time se distribuía no gramado, o argentino Hernán Crespo se acomodava na área técnica vestindo um... impecável terno negro.

O "estilo Crespo" tem um motivo, e não está ligado ao seu passado europeu. Dos maiores goleadores do milênio, o argentino brilhou em clubes como Inter de Milão, Milan, Parma e Lazio em uma Itália que sempre aliou o futebol à moda.

"Uso traje para homenagear meu pai", contou Hernán Crespo, ao diário "Olé", em janeiro, ao ganhar a Sul-Americana pelo Defensa y Justicia. "Acordava cedo para treinar e via meu pai saindo para trabalhar de terno e gravata. E queria ser como ele, o olhava, e isso o futebol não me dava, era sempre calção curto."

"Bem, talvez sejam loucuras de moleque, mas é uma forma de representá-lo, gosto de me vestir com esta forma e este estilo, negro, sóbrio. Viver na Europa te agrega valor, mas o traje vem de família, tem a ver com o velho Jorge."

E o que fazia o pai de Crespo? "Trabalhava na comissão da Bolsa de Valores, no centro de Buenos Aires. Eu o via empilchado a full [gíria portenha cujo equivalente em português seria "na estica"] e queria ser como ele, imagine..."

O terno não durou os 90 minutos em Limeira - Hernán por momentos ficou com a camisa branca por dentro da calça preta. Na decisão da Sul-Americana, sim: ele bancou os 35 graus do janeiro de Córdoba trajado e empilchado a full.