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'Herói de chuteiras': O que falaram na TV sobre a morte de Maradona

O comentarista Pedrinho participava do Seleção SporTV quando ficou sabendo da morte de Diego Armando Maradona. Emocionado, o ex-atleta e comentarista lamentou a perda do ídolo argentino.

"Eu estou bem emocionado porque esse cara - não vou falar da vida pessoal porque hoje parece que as pessoas são perfeitas, julgam como se ninguém errasse. Não tenho direito de falar da vida pessoal dele. Quando morre esses caras assim, a gente fica assustado porque eles foram heróis para quem vem de uma situação financeira difícil - ver alguém como ele vencendo na vida e dentro de campo fazer o que ele fazia. A posição que eu quis adotar dentro de campo foi por causa dele.", disse.

E comoção tomou conta da bancada do programa, que teve a pauta do dia interrompida pela notícia. O apresentador André Rizek pediu que os comentaristas não abordassem a vida pessal do ex-jogador.

"Morreu um dos grandes. Você pode odiar o Maradona como pessoa, detestar as posições que ele defendeu durante a vida Isso é normal. Ninguém é obrigado a gostar. Mas é bom senso tratar dele como um dos maiores jogadores de todos os tempos, dos personagens mais importantes da história", declarou.

Arnaldo Ribeiro classificou Maradona como 'herói de chuteiras'. "Para nós, geração pós-Pelé, esse foi o cara. Mesmo sendo argentino. Se o Pelé é o maior jogador, ele é o maior personagem. Pelo campo e extracampo. Conseguimos vê-lo muito bem. Transmissões ao vivo e em cores. Tinha o Napoli, o envolvimento com país e seleção e, em campo, uma genialidade absurda em uma época em que o futebol era mais violento, cruel, e ele jogou de forma esplendorosa. Um talento absurdo. Não conseguimos dimensionar. Nós somos a geração Maradona. É nosso herói de chuteiras", disse.

Casagrande não conteve as lágrimas ao dar o seu depoimento. "Eu sou um dependente químico e quando um dependente químico por causa da consequência da droga, é uma derrota para todos os dependentes, não só para ele. Eu sofri muito na minha vida por isso. Minha família foi que me salvou. Fiquei internado um ano e sei a dor e dificuldade que o Maradona deve ter passado. Eu corri risco de morte várias vezes, como ele. E quando eu recebo uma notícia dessa, de alguém com quem eu joguei, que eu conheci, acompanhei esse desespero e ele acaba morrendo, na minha cabeça a minha história e essa frase: 'Poderia ter sido comigo'. Foi com ele hoje, mas poderia ter sido comigo há muitos anos", disse Casão.

Principal narrador do Grupo Globo, Galvão Bueno participou do Jornal Hoje para também lamentar a partida do ex-craque.

"Estou chocado, como quem ama o futebol, como quem vive do futebol, do esporte, ou como qualquer cidadão que aprecia a magia, a beleza. O Maradona, a cada momento, produzia uma obra de arte, mas, se dúvida nenhuma, a Copa de 86 foi o grande momento de Maradona. O tempo que ele jogou no Napoli, as partidas na seleção argentina... É muito difícil destacar um grande momento de Maradona, porque o Diego virou 'El Diez', o dez, que, para muitos argentinos, virou o Deus. Eu fico com uma frase de Maradona ali do início dos anos 90: Dizem que eu sou Deus. Deus existe apenas um. Eu sou apenas um jogador de futebol. Mas como jogador de futebol, ele, sem dúvida, foi o que mais se aproximou de Pelé".

O narrador Luis Roberto também comentou as comparações de Maradona ao Rei do futebol. "O que retrata o tamanho do Maradona de forma incontestável é o fato de ele ter sido comparado ao Pelé, o que era inimaginável. É um grande feito. Ele talvez seja o único comparado ao Pelé. A diferença dele com o Pelé é política. No Brasil, talvez a gente separa mais o jogador e o personagem. Na Argentina, eles misturam mais. Tanto que você pediu para não falarmos do Maradona extracampo. E o legado do Maradona vai além disso. Ele é gigantesco dentro de campo".

No programa "Os Donos da Bola", Neto foi o responsável por dar a notícia. "É verdade isso aí, Cascão? O jornal Clarín está dando a informação que o Maradona acaba de falecer (...) A vida da gente é muito rápida. A fama e o sucesso às vezes fazem com que a pessoa se sinta muito poderosa, aí ele ficou viciado em cocaína. (...) Uma morte que deixa a triste, mas ao mesmo tempo pode servir de exemplo para todas as pessoas do mundo. Drogas, cocaína, maconha... Tantas brigas, tantos problemas de saúde..."

O ex-árbitro Arnaldo Cesar Coelho relembrou uma história envolvendo o jogador ainda na Copa América de 1989, disputada no Brasil, quando Maradona carimbou o travessão após um chute do meio do campo em jogo contra o Uruguai. O desfecho do "quase gol" desapontou muita gente. Em participação no "SporTV News" de hoje, ele disse que "torceu para a bola entrar". "Eu tava atrás do Maradona e torci para bola entrar ou para o gol recuar um pouquinho. Foi brilhante esse lance".

Maradona morreu hoje (25), aos 60 anos, após uma parada cardiorrespiratória. A saúde do craque argentino já estava precária desde o início do mês, quando ele foi operado de um hematoma subdural e depois, por decisão familiar e médica, permaneceu hospitalizado devido a uma "baixa anímica, anemia e desidratação" e um quadro de abstinência devido ao vício em álcool.

Segundo a imprensa argentina, seis ambulâncias foram chamadas para atender o ex-jogador, mas os médicos não conseguiram salvá-lo. Antes dos problemas de saúde, o campeão mundial pela Argentina em 1986 trabalhava como técnico do clube Gimnasia y Esgrima La Plata.