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Opinião: Menon - Ímola 94: Viúvas de Ayrton Senna vivem em marcha a ré e abraçam a censura

Ayrton Senna disse uma vez que havia visto Deus em uma curva de algum circuito. Normal. Quem acredita em um ser superior está sempre propenso a vê-lo e a interagir com ele. A Fé é assim. Não merece críticas, no máximo estranhamento.

Errado é ver em um ser humano qualidades divinas. Transformar um ídolo em um deus e, pior, tornar-se guardião da entidade. Tornar-se um cruzado fanático, pronto a destruir os mouros.

É assim com parte dos torcedores de Ayrton Senna. Confundem a excepcional qualidade do piloto tricampeão do mundo com algo muito maior.

Para eles, Senna nunca errou. Nunca jogou o carro em Prost. Foi alucinação coletiva? Ou foi vingança aceita em não sei qual código ético ou esportivo?

É muita saudade daqueles domingos em que Senna vencia e eles, felizes da vida, iam lavar o carro. Ficavam brilhando. Existe felicidade maior?

Agora, os fanáticos tentam fazer um boicote ao livro "Ímola 94" de Flávio Gomes.

Não leram e não gostaram. Queriam uma hagiografia, gostariam que Flávio confirmasse a presença de Deus naquela curva, naquele circuito.

Como não gostam, fazem um cancelamento. Falam em desrespeito ao seu anjo, ao seu deus, ao patrono de suas manhãs domingueiras com lustradores de carro na mão.

Se pudessem, fariam uma fogueira.

Por que apenas não comprar?

Não é de admirar tamanha ignorância. Eu me lembro como Adriana Galisteu foi cancelada quando posou para a Playboy. A viúva de Senna estava ofendendo a memória do campeão. Viúvas ofendendo a viúva oficial.

Agora, a bronca é com Flávio Gomes, que é mais frio e que escreve muito melhor que Adriana Galisteu.

Os fanáticos por Senna vivem em eterna marcha a ré.