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'Foi com a mão de Deus': sete frases ditas por Maradona

Ex-jogador argentino faleceu nesta quarta-feira, após uma parada cardiorrespiratória. BBC relembra algumas das frases ditas por ele nas últimas décadas.

As declarações do ex-jogador de futebol argentino Diego Armando Maradona costumavam ter grande repercussão. O ex-atleta, que morreu nesta quarta-feira (25/11), causava diferentes reações no público em suas entrevistas.

Entre as falas de Maradona ao longo da carreira estão críticas a adversários, desabafo sobre a vida pessoal e a carreira e até homenagem à mãe.

Uma das frases mais famosas de Maradona foi dita em meio à Copa do Mundo nos Estados Unidos, em 1994. Na época, ele foi suspenso da competição após testar positivo em um exame antidoping.

"Não me droguei. Cortaram as minhas pernas", declarou, em uma frase que logo se tornaria usual entre os argentinos.

As declarações do astro, campeão da Copa do Mundo de 1986 pela Argentina, ficarão marcadas na história dele. Maradona morreu em Buenos Aires, aos 60 anos, enquanto se recuperava de uma cirurgia no crânio, feita semanas atrás. Segundo a imprensa local, ele teve uma parada cardiorrespiratória nesta quarta-feira.

A BBC relembra algumas das frases ditas pelo jogador ao longo das últimas décadas.

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Maradona em 10 de novembro de 2001, em sua partida de despedida
Imagem: Getty Images

'A bola não fica suja'

A famosa frase se tornou quase um lema da vida do ex-atleta. Ele a pronunciou durante a sua partida de despedida, no estádio La Bombonera, casa do Boca Juniors, onde encerrou sua carreira como jogador em 10 de novembro de 2001.

Depois do jogo, fez uma reflexão diante da multidão que o acompanhava no estádio naquela tarde. "O futebol é o esporte mais lindo e mais saudável do mundo. Eu me equivoquei e paguei. Mas a bola não fica suja."

'Foi com a mão de Deus'

Em 22 de junho de 1986, nas quartas de final da Copa do Mundo do México, Maradona brilhava durante o jogo contra a Inglaterra. Por volta de seis minutos do segundo tempo, ele chutou a bola. O goleiro Peter Shilton, da Inglaterra, estava a ponto de impedir o gol, mas Maradona pulou e tocou a bola sutilmente com a mão.

Apesar da reclamação dos ingleses, o árbitro tunisiano Ali Bin Nasser validou o gol. A partida continuou.

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'Foi com a cabeça de Maradona, mas com a mão de Deus', declarou o jogador após polêmica partida
Imagem: Getty Images

No minuto 10 do segundo tempo, Maradona voltou a ter o domínio da bola, ultrapassou seis adversários e fez o segundo gol. Essa jogada ficou conhecida como o "gol do século".

Quando os jornalistas perguntaram ao astro argentino se o primeiro gol havia sido com a mão, a resposta dele entrou para a história. "Eu fiz com a cabeça de Maradona, mas com a mão de Deus", declarou.

'Eu jogo pra você, mamãe'

Logo após o jogo contra a Inglaterra, na Copa de 86, Maradona concedeu entrevista a uma rádio de seu país. No estúdio argentino, a mãe dele, Dalma Salvadora Franco, conhecida como Dona Tota ? morta em novembro de 2011 ?, parabenizou o filho pelo bom desempenho na partida.

"Falar da minha mãe é muito difícil. Eu sei o quanto ela sofre quando dizem: o neném joga mal... o neném é isso ou aquilo... Então, hoje o neném está seguro de que a deixou feliz", disse o jogador, lamentando a distância entre ele e a mãe naquele momento.

"Descansa, meu filho, porque você me fez a mãe mais feliz do mundo", respondeu Tota, declarando o seu amor pelo atleta. "Eu jogo pra você, mãe", respondeu Maradona.

'Que la chupen'

As declarações de Maradona não se resumem ao período em que era jogador.

Na última etapa das eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, Julio Grondona, então chefe da Associação Argentina de Futebol, decidiu que Maradona era a melhor opção para liderar a seleção.

Foi uma classificação sofrida, que somente aconteceu após a penúltima partida, contra o Peru em 14 de outubro de 2009.

As críticas dos jornalistas foram implacáveis pela forma como a seleção jogou. Maradona estava pronto para rebater todos os comentários negativos após o jogo que classificou a equipe.

"Aos que não acreditaram, aos que não acreditaram, com o perdão das mulheres, deixem que chupem e continuem chupando. Eu sou branco ou preto, nunca vou ser cinza (em uma referência a um meio termo). É? Vocês me trataram como me trataram? Continuem chupando", disse, eufórico e com uma linguagem obscena.

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Maradona morreu nesta quarta-feira, em Buenos Aires
Imagem: Getty Images

'Foi como bater a carteira dos ingleses'

Como a grande estrela que foi, Maradona também escreveu suas memórias: o livro Yo soy el Diego.

Na publicação, ele comenta sobre a famosa partida contra os ingleses na Copa de 1986. Segundo ele, o jogo teve um contexto político anterior: a guerra das Malvinas, que opôs a Argentina ao Reino Unido pelo controle das ilhas de mesmo nome, em abril de 1982.

No conflito, cerca de 650 argentinos morreram.

No livro, Maradona confessou que fez o gol com a mão, mas esclareceu. "Às vezes, eu sinto que gostei mais do primeiro, o que tem a mão. Agora eu posso contar o que não podia naquele momento, em que eu defini como a mão de Deus. Que mão de Deus, foi a mão do Diego! E foi como roubar a carteira dos ingleses também", escreveu.

Em outra ocasião, Maradona afirmou que a partida havia sido especial desde o primeiro minuto.

"Quando a bola saltou da Inglaterra, era inevitável não pensar nos meninos das Malvinas", disse.

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Ex-atleta é considerado uma das maiores estrelas do futebol mundial
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'A tartaruga escapou'

Uma frase que percorreu um longo caminho na Argentina foi dita por Maradona após uma notícia curiosa.

Em 1993, foi noticiado que o embaixador dos Estados Unidos na Argentina estava procurando um filhote de tartaruga que havia sido perdido pelo seu filho de 11 anos.

O setor de inteligência da polícia argentina apurou o caso.

Maradona não perdeu a oportunidade de comentar a situação, que chegou a ser noticiada nos jornais do país. Quando questionado sobre o caso, ele disse.

"A tartaruga escapou dele. Você não pode escapar de uma tartaruga, irmão. Elas percorrem 100 metros em 15 dias."

Desde então, a frase passou a ser usada por muitos argentinos para descrever pessoas que têm uma reação demorada em determinada situação.

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Ao o comentar sobre o jogador português, que é garoto propaganda de diversas marcas, Maradona criticou o marketing do atleta.

* Com informações da BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC)