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Estudante acusado de matar gamer em SP não tem doença mental, diz laudo

O estudante Guilherme Alves Costa, de 18 anos, acusado de matar a gamer Ingrid Bueno, de 19, não apresentou indícios de sofrer distúrbios psicológicos, segundo laudo realizado por peritos médicos a pedido da Justiça. A informação foi confirmada ao UOL pelo MPSP (Ministério Público de São Paulo).

Segundo a promotoria, o laudo informou que o réu é imputável, ou seja, que tem capacidade de entendimento. Com esta nova informação, ele pode ser levado a júri. Ao UOL, o promotor de Justiça do V Tribunal do Júri, Fernando Bolque, afirmou que já fez o pedido. "Já fiz minha manifestação final e pedi a pronúncia do réu para ser levado a júri. Aguardando a sentença."

Ainda, segundo a promotoria, em uma audiência de instrução e interrogatório, foram ouvidas testemunhas que confirmaram o encontro de Ingrid com Guilherme. O jovem disse que não se lembrava de nada a respeito do crime.

O que diz a defesa

O advogado João Marcos Alves Batista, que atua ao lado de William Vinicius Sartorio de Andrade no caso, informou ao UOL que a defesa está tentando uma uma contraprova do laudo de insanidade mental;

"Estamos aguardando se ele vai ser pronunciado ou não. Pedimos a absolvição imprópria do acusado", disse o advogado. A defesa defende a tese de que o Guilherme precisa de um tratamento com aplicação de medida de segurança, "pois ele não pode ser condenado e futuramente retornar para a sociedade sem um devido tratamento para os transtornos mentais que ele possui."

O motivo da absolvição impropria, segundo o advogado, "é porque o laudo sinalizou para a possibilidade de distúrbios de conduta e personalidade de comportamento, fortes traços de psicopatia e sociopatia com alta probabilidade de reincidência."

Até a publicação desta reportagem, não houve decisão de pronúncia de Guilherme a júri.

O crime

Ingrid foi encontrada desacordada no dia 22 de fevereiro na casa de Guilherme pelo irmão do estudante na casa da família em Pirituba, zona norte de São Paulo. Segundo o B.O. (Boletim de Ocorrência), a jovem havia sido esfaqueada. Em seguida, os policiais militares foram até a residência e constataram o óbito.

Na delegacia, ainda segundo o B.O, o estudante confessou o homicídio, que teria sido planejado previamente. Ele afirmou que escreveu um livro detalhando o crime — de objetivos até a motivação. Familiares de Ingrid disseram à polícia que não sabiam sobre a relação dela com o estudante.

Guilherme foi detido pouco tempo depois do assassinato após a família dele convencê-lo a se entregar à polícia. Inicialmente, ele queria tirar a própria vida, mas foi convencido a não fazer isso e se apresentar na delegacia. Lá, confessou o crime. Ingrid e Guilherme se conheciam há cerca de um mês pela internet.

Conhecida por "Sol", a jovem jogava Call of Duty: Mobile pelo time FBI E-Sports. Guilherme também era gamer, mas atuava na equipe Gamers Elite. Na época, o time soltou uma nota afirmando que soube do caso após o acusado enviar um vídeo ao grupo indicando que teria cometido o crime. O Gamers Elite ainda indicou que o contato com o estudante era de "interação virtual" e que, depois do ocorrido, comunicou a polícia.