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Doença profissional | Nadador pede pensão vitalícia do Corinthians em ação de R$ 1,5 mi

Doença profissional | Nadador pede pensão vitalícia do Corinthians em ação de R$ 1,5 mi

O nadador Arthur Pedroso entrou com ação contra o Corinthians na 7ª Vara do Trabalho de São Paulo. Atleta do clube entre 2009 e 2020, ele pede pensão vitalícia de R$ 1,41 milhão (soma de todos os meses até os 73 anos), alegando ter desenvolvido doença ocupacional no período em que representou a natação corintiana - doença ocupacional é caracterizada por dano causado no ambiente do trabalho.

Além do pedido de pensão vitalícia, Pedroso exige indenização por dano moral, dano material e verbas rescisórias. O valor total da ação contra o clube é de R$ 1.511.103,33.

A informação do processo foi apresentada no site "Meu Timão" e confirmada pelo UOL Esporte.

Em contato com a reportagem, o advogado Fábio Henrique Araújo, que representa o nadador na Justiça, relata que o atleta ficou incapacitado de competir em alto nível devido a supostas negligências do Corinthians em tratamentos médicos e à rotina degradante de treinos.

Segundo o advogado, Pedroso teria disputado competições com dois ligamentos rompidos. O defensor alega que a carga de treino era exaustiva, o que gerava sucessivas lesões.

"A pensão vitalícia [pedida na Justiça], na verdade, é um pouco mais de um salário por mês, porque essa lesão acabou com a carreira do atleta. O que ele quer é pouco mais de um salário mínimo para não morrer de fome. Logicamente que para fins judiciais você precisa estimar o quanto essa pensão vai ser e o tempo que ela vai durar", disse o advogado, da Mauer Assessoria.

Por lei, o trabalhador que tiver constatada doença ocupacional pode entrar com pedido de pensão vitalícia contra o ex-empregador.

Para calcular o valor referente à pensão vitalícia pedida na Justiça, de R$ 1,4 milhão, o advogado levou em consideração a média de idade do brasileiro: pouco mais de 73 anos. Especialista no estilo peito na natação, Arthur Pedroso atualmente tem 25 anos. Foram anexados ao processo exames de ressonância do joelho, coluna, cotovelo, coxa, quadril, pé e tornozelo.

Advogado diz que Corinthians tratou lesão de forma inadequada

O advogado de Arthur Pedroso alega que o nadador recebia ordens para prosseguir os treinos mesmo com problemas físicos. O clube teria se recusado, inicialmente, a custear os tratamentos médicos do nadador. Somente após longo período é que o Corinthians teria aceitado apoiá-lo.

No entanto, o tratamento teria sido superficial, servindo apenas para mascarar o problema, que se agravou posteriormente.

"O suposto 'tratamento' não apenas foi ineficaz para viabilizar a participação do Reclamante na seletiva olímpica como lhe ceifou qualquer chance de recuperação plena, ocasionando, assim, incapacidade permanente para o esporte. Por conta de toda essa situação, o Reclamante perdeu seus patrocínios e, atualmente, não dispõe de qualquer perspectiva de retomada da sua carreira."

Acusação de assédio moral no Corinthians

O advogado disse que Pedroso tinha de treinar mesmo com lesões principalmente no joelho e cotovelo. Essa carga de trabalho teria causado efeitos negativos em sua saúde física e mental.

Pedroso teria sido chamado de "ingrato" por um treinador da natação quando pediu tratamento adequado no clube.

"[Pessoas no Corinthians] pressionavam e ameaçavam o Reclamante diuturnamente, exigindo o cumprimento de metas de desempenho desumanas mesmo quando este estava lesionado e precisava de tratamento adequado e contínuo, tratamento este que lhe foi negado por vários meses!", relatou Fábio Henrique Araújo, advogado do nadador.

No processo, o Corinthians foi acusado de não fornecer equipamentos necessários para a prática esportiva. Os equipamentos eram custeados pelo próprio nadador.

A advogado de Pedroso ainda relata que seu cliente teve agravado quadro de rinite alérgica por conta da frequente exposição ao cloro.

Ao UOL Esporte, a assessoria de comunicação do Corinthians informou que o clube não foi notificado e, por isso, não vai comentar o assunto no momento.

A Justiça marcou audiência entre as partes para o dia 14 de julho.