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Chute 'rapa bosta' e 'referência': Cuca fala de Pituca e Alison no Santos

Ptuca e Alison se tornaram incontestáveis no Santos, sobretudo na reta final da Copa Libertadores da América. Além de postura, raça e importância técnica e tática, a dupla ganhou olhares diferentes do técnico Cuca. Enquanto o treinador vê um "cheio de dons", o outro crê que seja uma grande referência para o elenco.

Capitão do Santos, Alison se tornou um grande braço direito para o comandante. Nos vestiários, se tornou o homem do discurso forte, que empurra os companheiros. Mas mais do que isso, Cuca o vê muito maduro por todos os altos e baixos que viveu no Peixe.

"O Alison é uma referência para os outros, um exemplo, tantos anos de casa, já passou tantas situações. Quando você viu o Alison reclamar do Santos, ele indo para você e dizer 'tá atrasado, os caras não pagam, vou entrar na Justiça', e podia entrar. Todos os outros podiam entrar. Tem que valorizar isso aí, mas não é agora a hora de valorizar, agora ele não precisa. Tem que valorizar o dia que estiver em uma fase ruim, quando estiver mal e o pessoal lembrar: 'não, esse cara é ponta firme... vamos ter uma paciência maior com ele'", disse Cuca em exclusiva ao UOL Esporte.

Já Pituca é um pilar no meio-campo. Prova disso é ser mais fácil contar os jogos em que ele não atuou do que os que ele esteve em campo: apenas cinco partidas ausentes na temporada das 58 em que o Santos foi a campo.

Cuca demonstrou muito carinho pelo jogador de 28 anos, que já está vendido ao Kashima Antlers, do Japão. Em tom de despedida, Cuca comentou sobre os dons de Pituca, como a facilidade de juntar o meio-campo ao ataque... e também brincou com o fato dele não saber chutar, mas o enalteceu pelo gols contra o Boca Juniors, na Vila Belmiro.

"O Pituca continua com aquele chutinho dele (risos). É, ué! Se ele tivesse dado uma bomba o goleiro pegava, mas como ele pegou aquele 'rapa bosta' dele colocou no cantinho do goleiro, porra, você quer melhor que isso? (risos) Pituca é assim, cara. Ele tem tantos dons, sabe? Ele junta o meio-campo ao ataque, ele corre 11km por jogo, ele não reclama de nada, ele cobre o Soteldo, cobre o outro. Se você precisar dele de primeiro volante ele vai, faz ele na lateral-esquerda. O cara é maravilhoso, uma pessoa sensacional. Para mim ele não tem defeito. Fora da área, outro dia eu treinava o São Paulo, ele meteu um cacete de fora da área, a bola 'bum' na trave. Falei para ele, 'só faltava você fazer de fora da área!'. Daqui a pouco sai o gol dele de fora da área, merece", disse.

"Fico feliz e triste, né? Feliz pelo Pituca, muito feliz, porque ele vai consolidar uma vida profissionalmente, financeiramente, buscar recursos e ele já tem 28 anos, é uma idade difícil de sair. Ele vai buscar recursos para o futuro dele, porque depois que ele tiver 35 e não jogar mais vai viver de tudo que ele conseguiu juntar. Nós do futebol, a grande maioria não estuda e não se prepara para o estudo. Mas o fardo fica grande. Se você não se prepara e gasta o dinheiro montando ou abrindo coisas erradas acaba muito rápido e seu fardo não fica menos pesado. Então a gente fica feliz, eu fico muito feliz quando vejo um jogador concretizar uma realidade financeira como ele está indo. Que Deus abençoe ele. Mas fico triste porque é um cara que vai fazer muita falta para o Santos. A gente não acha um segundo volante, um meia igual o Pituca no futebol próximo, muito difícil", acrescentou

Recuperado do covid-19, Alison retornou aos treinos no CT Rei Pelé ontem e estará à disposição contra o Palmeiras, no Maracanã, sábado (30), pela final da Libertadores. Pituca, apesar de estar vendido, ficará disponível no Peixe até o fim das competições internacionais, ou seja, em caso de um possível Mundial, o volante será mantido.