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Após veto à Olimpíada, Pedro vê jejum e poucas chances mesmo com desfalques

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Até pouco tempo atrás, o Flamengo se orgulhava de ter um dos melhores atacantes do país em seu banco de reservas. Após comemorar a convocação para as Olimpíadas e ser vetado pelo clube de atuar pela seleção em Tóquio, entretanto, Pedro não só deixou de conquistar uma medalha de ouro como encara um jejum de gols e vê suas chances diminuírem mesmo quando o Rubro-Negro joga com desfalques.

Desde 17 de junho, quando o técnico André Jardine anunciou os então 18 nomes selecionados pela seleção para Tóquio com a presença do atacante, foram 16 jogos pelo Rubro-Negro, com só dois gols e três assistências. A "seca" de gols é de oito jogos e dura mais de um mês, já que a última vez que Pedro balançou as redes foi na goleada por 5 a 0 sobre o Bahia, em 18 de julho.

De lá para cá, o centroavante disputou 737 minutos, uma média de 46 por jogo. Foi titular em oito partidas, ficando em campo até o apito final em seis delas. Como substituto, foram 154 minutos em oito jogos, pouco mais de 19 por partida. Ele tampouco saiu do banco no confronto de volta das oitavas de final da Libertadores, contra o Defensa y Justicia.

Centroavante à moda antiga, o jovem hoje com 24 anos encantou o país no rival Fluminense, em 2018, e voltou ao Brasil com juras de amor ao Rubro-Negro, de quem se declarou torcedor fanático desde a infância. Também por isso, não viu problema em ser suplente de Gabigol, grande ídolo do clube após a geração de 1981, e fazia seus gols nas oportunidades que tinha.

O início foi tão promissor que Pedro chegou a ameaçar a titularidade no ataque, com tentativas de atuar ao lado do artilheiro Gabi em fases abaixo do esperado de Bruno Henrique. Em 2021, embora seguisse com boas atuações e balançando as redes, o camisa 21 se envolveu em polêmica com o Fla por conta da convocação à Tóquio. Coincidência ou não, já que não reclamou publicamente, o atacante viu sua situação mudar no Ninho do Urubu.

Seja com Rogério Ceni ou Renato Gaúcho, Pedro tem sido preterido em diversos momentos. Contra o Ceará, o Flamengo não teria Arrascaeta e Gabigol, e a escalação do centroavante parecia certa. Renato, entretanto, optou por Michael e Vitinho, e mesmo com a derrota parcial na primeira etapa, só lançou mão do jogador aos 37 minutos do segundo tempo.

Na transmissão da Globo para todo o Brasil, o comentarista Roger Flores chamou a atenção para o caso de Pedro. Embora não tivesse informações, o ex-jogador comentou a pouca utilização do atacante desde o imbróglio da convocação. Nesse momento, a câmera focou no jogador, que balançava a cabeça negativamente com cara de poucos amigos ao lado do lateral-direito Rodinei. Renato Gaúcho respondeu aos comentários em sua entrevista coletiva.

"Acho até engraçado. O Roger foi um grande jogador, mas o feeling dele dessa vez está totalmente errado. Primeiro que o meu time quem escala sou eu e segundo que eu tive uma conversa muito boa com o Pedro e disse que ele vai ter oportunidades. Eu tenho total liberdade do presidente, da diretoria e é assim que eu trabalho. Essa dor de cabeça, Roger, eu gosto de ter. Vários jogadores muito bons, deixa essa dor de cabeça para mim. Infelizmente só podem jogar 11", contestou Renato.